terça-feira, 25 de maio de 2010
I SEMINÁRIO DE INFORMÁTICA EDUCACIONAL DA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE ENSINO DE LEOPOLDINA
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
2010
sábado, 17 de outubro de 2009
FALANDO DE EDUCAÇÃO, PROFESSOR, SOCIEDADE... ESPERANÇA
Eu relutei em registrar minhas reflexões sobre o assunto. Não que os professores não merecessem ser lembrados ou homenageados, eu inclusive me incluo nessa profissão, mesmo que por um momento eu esteja vivenciando uma outra instância de trabalho. Mas ultimamente tenho sido resistente em relação a essas falas pontuais, que ressaltam num momento ou no outro um assunto, uma pessoa, um profissional, mas sem um continuum de ações que realmente legitimem a fala apregoada aos quatro cantos. Hoje meu sentimento se divide: de um lado o orgulho de ser professor, de encher minha boca para falar da minha profissão, de uma esperança que quer se manter viva, pensando nas possibilidades de uma sociedade melhor para todos a partir da Educação, da formação humanitária das pessoas; do outro lado uma certa tristeza, uma frustração, uma sensação de ressaca talvez, pela desvalorização, pelo despencar do status desse profissional na nossa sociedade, por aqueles que continuam remando, mas como se carregassem um grande peso, como remadores solitários, por aqueles que não são professores e ocuparam essas cadeiras pelo abandono do verdadeiro profissional da educação, que adoeceu, que cansou...
Sobre a Educação, reafirmo o que já registrei neste BLOG em março de 2008, no texto "EDUCAÇÃO E LIBERTAÇÃO", considerando principalmente que não temos como falar em Educação se não discutirmos a questão do Profissional da Educação. O Professor ao assumir essa profissão, assume ser um Educador Profissional, para formar, produzir homens e “sua ética está em ter competência técnica, acreditar e agir e acima de tudo, ter competência humana” (LARA, 1998). Não temos como falar, discutir sobre formação de pessoas, que é o que produz os homens de nossa sociedade, sem falar em competência humana para exercer tal tarefa. Nessa profissão isso não pode faltar, as demais ações, habilidades e saberes são conseqüências dessa competência, da qualidade das nossas relações com o outro, da nossa interação, do nosso olhar, da nossa escuta, da nossa compreensão, da disposição para conhecer e interagir com o outro que se dispõe a nossa frente para construir sua aprendizagem. Somos o elo que une esse indivíduo aprendiz da vida, com o mundo do conhecimento, das vivências, somos nós que conduzimos o aprendiz ao encontro do significado de tudo o que se descortina para ele. Como é grande essa responsabilidade!
Por toda essa grandeza, como podemos ficar por toda uma vida rendendo homenagens, fazendo discursos sem uma ação que realmente contribua para uma mudança satisfatória dessa situação, que altere o curso desse processo auto-destrutivo em que nos encontramos? É como se nosso discurso sobre a Educação ficasse vazio, sem conteúdo, sem verdade. Um dia na história de nossa civilização, nós homens, escolhemos institucionalizar a Educação, entendemos que essa era nossa melhor escolha para educar e formar as nossas crianças. Se escolhemos institucionalizar a Educação, também escolhemos legitimar e reconhecer um profissional para essa Educação, o Professor. E agora, o que queremos dizer e mostrar com o que estamos enfrentando? Alunos desmotivados, escolas com graves problemas de violência, resultados de desempenhos escolares nada satisfatórios, altos índices de absenteísmo dos profissionais da educação, um grande número de afastamento por licença de saúde, pesquisas demonstrando porcentagens consideráveis de professores com depressão e doenças decorrentes desta e do estresse profissional, entre outros. Será que teremos é que repensar a instituição escolar que criamos? Um novo modelo de escola, de educação, de gestão escolar? Ou perdemos a mão do nosso fazer, do feijão com o arroz? Que sociedade é essa que grita aos ventos que é imprescindível investir numa educação de qualidade e continua com índices educacionais tão baixos? O que fazer quando os alunos que concluem o Ensino Médio não têm um letramento satisfatório, não interpretam, não inferem num texto, não compreendem e não produzem textos com coerência e coesão? Como eles ocuparão as cadeiras Universitárias? Quantos ocuparão? Qual será nosso universo de incluídos e excluídos? Até quando sustentaremos a fama de País em desenvolvimento que caiu nas graças internacional?
Reconheço que em meio a todas essas adversidades, a todas as mazelas da nossa sociedade, temos muitas experiências de sucesso para contar, com resultados significativos. Professores que se mantém em constante busca, com muita vontade, compromisso, criatividade, disponibilidade, superando os contratempos e disseminando bons resultados. Hoje temos pesquisas de campo, entre os profissionais que tem ocupado as cadeiras das pós-graduações, em Mestrados e Doutorados, que apontam para uma pratica educacional produtiva na formação dos alunos, considerando a nossa grande diversidade, as peculiaridades de regiões, bairros, comunidades e alunos. Por isso em meio a todo esse desabafo, vou colocar na balança de meus sentimentos, um peso maior no lado da esperança, do orgulho de ser professor, na crença de uma sociedade melhor a partir da formação e da produção de homens de bem.
Não busco com essa reflexão, apontar os culpados, pois quando assim o fazemos, temos que reconhecer que ao apontar o outro, também projetamos nossas próprias fragilidades, dificuldades e atropelos. Busco congregar idéias, pensamentos, reflexões para compreendermos melhor a sociedade em que vivemos, como vivemos, como dialogamos com nossas fraquezas, com as mazelas sociais e como nos movimentamos para promover uma sociedade melhor, pois todos nós somos responsáveis. Em alguns momentos ocupamos o lugar de vítimas, em outros de algozes, ou omissos expectadores, ou falantes denunciadores. Mas seja qual for a posição que hora aqui e ali ocupamos, somos responsáveis, não temos como nos isentar ou querer dizer que somos neutros, pois até a neutralidade ocupa uma posição e gera alguma consequencia. Na “metáfora da teia de aranha”, ao mesmo tempo em que tecemos nossa teia, estamos condicionados a ela, somos parte dela, não sobrevivemos sem a teia e a teia não se sustenta sem nós. “O ser humano se constrói e se produz na medida em que produz seu mundo – organiza-se no conjunto dos seres e é pelo trabalho que o ser humano não só produz as condições materiais de vida, mas se produz, se forma, se realiza e é também produzido” (LARA, 1998).
Para aqueles que acreditam, agem e compreendem a essência do relacionamento, parabéns por SER PROFESSOR!
terça-feira, 7 de julho de 2009
CONSELHO MUNICIPAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL EM LEOPOLDINA
Senti por parte das pessoas presentes interesse e disponibilidade. Vale destacar a atuação e empenho do Sr. Wantuil para se chegar até esse momento, nessa assembléia e de todos os demais que ali se posicionaram. E fiquei satisfeita com o grande número de auto-representantes, isso confere veracidade e consistência à entidade. Quero crer, que já evoluímos em nosso Município de uma época de pouca participação em Conselhos Municipais para um tempo novo de intensa co-responsabilidade social. Todo movimento participativo, é sempre um caminho novo que se abre, pessoas se encontram, dão as mãos e seguem pelas trilhas e alamedas que levarão até o objetivo comum. No caso dos Conselhos Municipais, o objetivo comum é sempre a promoção e defesa de Direitos e na caminhada sempre nos deparamos com pedras, desvios, barreiras, e até pinguelas, ou seja, ao mesmo tempo em que teremos momentos de caminho fluente, teremos atropelos e riscos no caminho. Mas se não perdermos o foco, o objetivo comum e as mãos permanecerem unidas, é possível a chegada. Mas cada chegada já pressupõe uma nova trajetória, pois todo direito consolidado, toda conquista, gera novas necessidades, planos e projetos.
Discutir igualdade racial neste país, ainda gera muita polêmica, até mesmo entre a própria população que se auto-representa nesses movimentos. A expressão “políticas de afirmação”, apesar de para muitos de nós não ser novidade, para outros tantos mais, representa ações muito novas que carecem de uma compreensão maior. Para entender dessas políticas é preciso dar visibilidade a realidade em sua totalidade, ou seja, sem camuflagem, com clareza, com dados reais, concretos, contando a “verdadeira história”.
Seja como for o desenrolar de nossas ações, não podemos nos perder em conjecturas ou devanear sobre hipóteses sem consistência. Vivemos a era do conhecimento, temos as ciências a nosso serviço, mas também vivemos a era da informação, e na velocidade do fluxo desta, precisamos de cuidados especiais para não nos prender no periférico e esquecer a essência do que buscamos. O fato é, estamos no meio de um processo social que busca a consolidação do pleno exercício da cidadania de todos, sem distinção, em nossa sociedade. Mas se é um processo e estamos no meio dele, a movimentação ainda é intensa, teremos momentos de altos e baixos, de encontros e desencontros, mas sempre o movimento é continuo e evolui, mesmo que pareça ser de forma tímida. Como é um processo, a tendência é que os projetos, programas vão aos poucos se apurando para corresponder cada vez mais a nossa realidade social. Na medida em que algumas realidades vão se modificando, a compreensão também vai melhorando e vamos acertando, aparando as arestas das chamadas políticas afirmativas.
O que não podemos é simplesmente condenar, sem contribuir para a mudança. A crítica pela crítica, sem filtrarmos as informações não nos levará as mudanças necessárias. O senso comum nem sempre está diante de nós para ser considerado com única verdade, mas em muitas das vezes, para que reconheçamos a idéia que prevalece no senso comum e com ela reconhecermos a nossas fragilidades sociais e a necessidade de construção de um novo conceito e prática social, de um novo paradigma. Para essa construção, é comum que precisemos desconstruir um conceito, dessecar ele, abrir as feridas, nos abolir dos pré-conceitos e só aí, aplanando o terreno, iniciarmos a construção de uma nova concepção. É assim que as idéias nascem e se consolidam, deixam de existir na individualidade de nossa consciência e passam para a uma consciência coletividade que levará a um novo tempo e realidade social, se for absorvida por nós, vivida, captada e processada pela mente e levada ao coração, será sistematizada e consolidada, passando ao domínio do inconsciente coletivo. Ou seja, passamos a viver, a sentir a nova realidade e não precisamos mais racionalizar para fazer o que precisa ser feito, simplesmente “somos”, e o que antes era uma determinação para um comportamento nosso, passa a ser um hábito em nossas vidas.
Urge em nosso tempo a construção da “Cultura da Paz”. Estejamos disponíveis para esse caminhar, é tudo o que precisamos, compreensão, tolerância com as diferenças, com a diversidade, lembrando que para se ter igualdade, é preciso entre outras atitudes, respeitar o princípio da equidade, ou seja, considerar as diferenças, as peculiaridades de cada um, para promover a igualdade, pois cada um é um, cada comunidade é uma, cada cultura é uma, cada origem é uma, cada história é uma, mas os DIREITOS SÃO PARA TODOS.
Deixo uma dica de um texto sobre a questão educacional, a formação dos nossos educandos, retratando o quanto ainda temos que avançar na questão curricular para contribuir na mudança dos nossos paradigmas relacionados à raça na nossa sociedade, é só clicar no link:
http://www.ciranda.net/spip/article2524.html - ESCOLAS IGNORAM LEI QUE OBRIGA ENSINO DA CULTURA AFRO
quarta-feira, 1 de julho de 2009
LEOPOLDINA FOI SEDE DO "VI FESTIVAL REGIONAL NOSSA ARTE"
No dia 25 de junho aconteceu no Clube do Moinho, em Leopoldina, o "VI Festival Regional Nossa Arte", promoção do Conselho Regional Zona da Mata III - Federação das APAEs de Minas Gerais e da APAE de Leopoldina, o evento contou com a participação de sete das quinze APAEs que integram o Conselho. Foram 12 apresentaçõesde palco, entre Dança, Dança Folclórica, Teatro e Música. Foram expostos 21 trabalhos de arte visual, 21 de artesanato e 8 de arte literária.
Presentes as APAEs de Além Paraíba, Carangola, Cataguases, Espera Feliz, Miraí, Muriaé e Leopoldina, a anfitriã do evento. O Festival é uma seletiva dos trabalhos de Arte nessas instituições e vem a cada edição revelando mais talentos, elevando qualitativamente a produção artística dos alunos nas variadas modalidades apresentadas. Com o incentivo a essas produções através de eventos como este, as APAEs tem a possibilidade de expandir o fazer artístico, seja para a produção cultural, como para a arte educação.
Importante também destacar a participação da comunidade, de todas as pessoas que prestigiaram o Festival, presentes no evento, ou apoiando com patrocínio e incentivos outros, entre estes, representantes da Adminstração Municipal, através da Secretária Municipal de Educação e Cultura, Lúcia Lopes Horta e do Legislativo, através dos Vereadores presentes, como também representantes da imprensa. O Conservatório Estadual de Música Lia Salgado foi um grande colaborador. Foi fundamental a disponibilidade das pessoas que integraram o corpo de jurados, pessoas de reconhecido currículo nas artes: Maria Lúcia Braga, Sandive Santana, Sérgio de Sousa, Aparecida do Carmo Gonçalves Silva, Lúcia Helena Lima de Oliveira Nogueira, Filomena Toledo Gonrado França e Ereny Ferreira Sales (Berê). Esas pessoas somaram credibilidade ao evento.
Vale ainda destacar, o enorme empenho da equipe de profissionais da APAE de Leopoldina e de forma especial, o esforço de sua Diretora Maria Célia Morais, na organização e produção do Festival, que não mediram esforços para promover o evento e bem recepcionar as delegações das demais APAEs. A Coordenação de Arte da APAE de Leopoldina está a cargo da Profª Angela Anjos e o atual Presidente da instituição é o Dr. Marco Antônio de Oliveira Lacerda.
Mas o mérito maior de todos, é dos alunos, dos artistas que fazem o Festival de Arte acontecer, pelo esforço, dedicação, amor e responsabilidade de cada um deles, em se colocar diante de todos nós, sem medo, de coração aberto, produzindo arte, cultura, educação. Entre os destaques das apresentações, a apresentação de folclore da APAE de Leopoldina, com "A Bailarina e o Boi Bumbá" e o número de Dança da APAE de Espera Feliz, através da aluna Adriana, ambas disponíveis em vídeo no link:
http://www.youtube.com/watch?v=3Y3CI4MtcjE
http://www.youtube.com/watch?v=l4FBi2zFhFE
O Conselho Regional Zona da Mata III, tem como sua Presidente a Profª Maria José Marques Ferreira e na Articulação Regional de Arte a Profª Claudia Conte dos Anjos Lacerda.
domingo, 21 de junho de 2009
VI FESTIVAL REGIONAL NOSSA ARTE
quarta-feira, 15 de abril de 2009
RETOMANDO AS REFLEXÕES
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Música nas Escolas
Posso dizer que esperei com expectativa esse dia, onde divulgaria uma boa notícia. Mas, meu sentimento é mais de decepção, ou talvez de ressaca, ainda estou tentando definir. Acredito que é mais ou menos aquela sensação de "nadar, nadar e depois de muitas braçadas, morrer na praia, ou quem sabe, ir para a UTI". O Presidente da República sancionou o Projeto de Lei, mas vetou o Artigo que garantia a formação especializada para ministrar tal conteúdo. E o que isso quer dizer? Quer dizer que não foi a conquista esperada e necessária. Dizer numa Lei que a Música é obrigatória na integralização do Parágrafo 2º do Art. 26 da LDBEN, que dispõe sobre o Ensino de Arte dizendo: "O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos" e sendo do nosso conhecimento que nos Parâmetros e Diretrizes Curriculares Nacionais, consta a Música entre as demais linguagens artísticas, já orientando para este trabalho, é quase uma redundância. E por fim, abrindo mão da especialidade na formação do profissional que ministrará esse conteúdo, é mais uma vez, brincar de fazer Educação.
Não queremos Leis para simplesmente polemizar, ou para reescrever o que já esta escrito, ou para garantir emprego para este ou aquele profissional. Queremos Leis que verdadeiramente correspondam aos ideais de Formação Humana, em consonância com as bases epistemológicas que edificam a Educação, a produção do conhecimento.
Garantir a obrigatoriedade do ensino da Música na Educação Básica e do Profissional Especializado não seria o fim de uma discussão e sim a continuidade de um amplo debate. Essa discussão já vem acontecendo nas principais instituições formadoras, nos eventos de referência na área. Essa proposta não é fruto da vontade de alguns profissionais, mas é conseqüência de estudos pesquisas, de muitos, ao longo de uma efetiva caminhada, produzido inclusive nas Universidades Públicas. Discutir sobre a estrutura e condições para essas aulas, sobre o currículo de formação do Educador Musical para atender a essa demanda, entre outros assuntos, já é uma realidade e seria mais intensa a partir da nova Legislação, o que com certeza nos levaria com o tempo a um trabalho de excelência e a melhoria dos resultados educacionais.
Mas e agora? O que vamos discutir? Vamos discutir que a Música já está lá, na área de arte e qualquer profissional está habilitado para ministrá-la? Será que vão distribuir cartilhas instrutivas e manuais, tentando convencer os Professores da Educação Básica que eles podem colocar mais esse ingrediente na salada mista que virou a rotina escolar? A salada mista de doce, já ficou salgada e ultimamente tem ficado amarga. Mas o meu maior questionamento é: Que música queremos nas escolas? Qual o verdadeiro objetivo de dizer que este é um conteúdo obrigatório na Escola? É para falar simplesmente que tem música na escola? Que Música é essa?
Não é fácil descartar o trabalho dos pesquisadores na área, não é fácil reduzir uma fundamentação tão séria, como a cognição da Arte no ser humano à atividades simplesmente recreativas, sem começo, meio e fim. Hoje já amargamos a perda do profissional especializado em Arte nos anos iniciais do Ensino Fundamental, pois na maioria das Escolas Públicas, esse conteúdo foi integralizado às outras tarefas do Professor Regente, que está longe de ter tido uma formação para esta ação. Mais uma vez é a "boa vontade", a "intuição" do Professor. Se é a Escola a responsável institucionalmente pela Formação Humana, por que não há seriedade na formação e direcionamento das equipe profissionais? Podemos só repetir uma velha citação (mas que parece que ainda não teve a devida atenção): "não sentamos numa cadeira odontológica para tratar de dente com uma pessoa que não é formada em Odontologia, com diploma reconhecido, mas as nossas crianças sentam todos os dias nas cadeiras escolares diante de professores leigos, sem formação específica para as áreas que atuam". Mas, não nos importamos, “pra formar pessoas, qualquer um serve, é só ter boa vontade, ou estar precisando de emprego”. Incomoda ouvir isso? Para algumas pessoas, incomoda a dor de dente, que é momentânea, não incomodaria tanto os equívocos educacionais, não sentimos num primeiro momento, em nossa própria pele, mas essas conseqüências, vamos sentir por toda uma vida, por gerações e com certeza, vai nos incomodar muito mais que a momentânea dor de dente.
Não quero que as pessoas sintam dor de dente e se acomodem com isso, mas também não quero que as crianças sejam privadas de uma formação integral, uma formação na essência do seu ser, em plenitude. Aí sim, estaremos Construindo uma Sociedade Justa, Igualitária, Fraterna e Próspera.
Atualmente a Arte está fora do cotidiano escolar, falta Estética, Criatividade, Sensibilidade, Humanização, Música, Amor... E em alguns lugares, falta comida na barriga dos alunos. Essa é a Escola que temos e assim será o País que teremos.
Profª Claudia Conte
segunda-feira, 19 de maio de 2008
RESULTADOS ESCOLARES
Nos últimos dias, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, divulgou os resultados do PROEB 2007. O PROEB, integra o Sistema Mineiro de Avaliação (SIMAVE) e avalia o desempenho dos alunos nas Escolas Públicas no 5º ano (antes 4ª série ou Fase IV) e no 9º ano (antes 8ª série), do Ensino Fundamental e o 3º ano do Ensino Médio.
Quanto a participação dos alunos, tivemos índices entre 80 à 94 %, dos alunos, sendo o maior índice nos anos iniciais do Ensino Fundamental e as porcentagens mais baixas de participação, no Ensino Médio. Em relação ao número de alunos presentes na avaliação, também é um dado que nos leva a questionamentos como: A diferença entre o número de alunos previsto e o número que participa da avaliação no dia desta acontece por que esse aluno está ausente da escola, ou por que o número de alunos informado através dos instrumentos de coleta de dados, como o Censo Escolar e outros, não retrata a realidade escolar? Se o caso for uma divergência entre o dado informado e a realidade da Escola, o que fazer para que os instrumentos de informação educacional, o banco de dados, seja cada vez mais próximo da realidade das escolas?O PROEB avalia o desempenho dos alunos na Lingua Portuguesa e na Matemática nos finais de etapas da escolaridade, ou seja, final dos Ciclos de Alfabetização e Complementar, que são os anos iniciais do Ensino Fundamental; final do Ensino Fundamental e final do Ensino Médio. Através do CAED da UFJF, da preparação à avaliação e apuração dos resultados, é feito um trabalho minuncioso para análise das avaliações, tanto através de procedimentos estatísticos, quanto de análises pedagógicas, para se chegar assim a uma escala de proficiência dos alunos nas diferentes etapas, descrevendo assim as capacidades e habilidades de cada nível/etapa de ensino.

Quando olhamos para os resultados, percebemos que muito temos a fazer. As Escolas precisam repensar sua estrutura curricular, sua rotina, sua organização, seus espaços, entre outros; os professores precisam repensar suas práticas, estratégias e procedimentos, acreditar na sua própria capacidade, nas possibilidades dos alunos e buscar cada vez mais construir competências para sua ação; os Gestores Escolares, precisam repensar sua gestão, seu planejamento, rever suas metas de trabalho, seu Plano de Ação e propor a construção coletiva desse planejamento, da Proposta Pedagógica da Escola e articular os meios para a efetivação destes; os Especialistas/Pedagogos (Supervisores e Orientadores), precisam assumir seu lugar como Coordenadores/Articuladores Pedagógicos, responsáveis pela articulação das instâncias educacionais para o desencadear de todo o processo, são esses profissioais que com um olhar muito atento e apurado acompanham todas as ações que vão interferir diretamente no desenvolvimento pedagógico dos alunos na Escola e precisam cada vez mais construir competências para essa tarefa; as famílias precisam resgatar o 1º lugar como formadoras/educadoras dos futuros homens e mulheres, que serão as futuras famílias da nossa sociedade, precisam se apropriar do papel de provedores e orientadores do desenvolvimento de seus filhos, guardiãs dos valores da formação ética dos homens e o sistemas precisam promover políticas sustentáveis e duradouras para o desenvolvimento da Educação, garantindo a valorização dos Profissionais, as condições materiais e tecnológicas para as Escolas, a formação continuada para os Profissionais, num processo contínuo, sem rupturas e excesso de experimentação, agindo no sentido de fazer os Planos, Projetos e Programas se efetivarem e chegarem a fase de validação, pois já temos histórias suficientes para contar, das boas idéias que se quer chegaram na fase do acompanhamento; e a sociedade, precisa ser participativa, ativa no processo educacional, se interessar pelo que acontece nas Escolas e com as famílias, se envolver verdadeiramente e não se limitar a prática do telespectador que assiste, comenta e não se movimenta.sábado, 5 de abril de 2008
AS DORES DO MUNDO
Todos se solidarizam, se indignam, se emocionam, se sentem no lugar dos investigadores, fazendo afirmações com grande convicção, como se já tivessem solucionado o caso. Viramos juízes, promotores, detetives, psicólogos, algozes e tantos outros papéis numa sociedade confusa, onde a verdadeira identidade do que somos, está diluída em meio à corrida diária pela sobrevivência, pela carreira, pelas nossas metas a cumprir, pelos nossos sonhos a conquistar, pelo carro que queremos comprar, ou o que parece que nunca vamos poder TER, pela casa que ainda não temos, ou pela reforma que pretendemos fazer, pela disputa no trabalho, pela disputa das idéias, pela disputa das crenças, pelos conchavos politiqueiros e por tantos outros desencontros e buscas que provocam a constante inquietação do nosso SER.
Quantos mártires ainda faremos? Quantas mães vão ainda sangrar pela dor da perda, do “pedaço de si” que lhes é arrancado? É importante considerar que alguns casos ganham a mídia, viram destaques, são a notícia da vez para os meios de comunicação em massa, para os profissionais do ramo – sendo que muitas vezes é a chance de alguns desses profissionais, repórteres, fotógrafos e outros, ganharem prêmios nas respectivas categorias – é o trabalho deles, farejarem e enfatizarem o que toca a sociedade e provoca comoção geral. Mas quantos casos acontecem diariamente, quantas dores entre as paredes dos lares? Quantas crianças crescendo em sofrimento, quantas mulheres chorando em um canto, quantos homens tristes e sem esperança, rendidos a completa falta de controle de si? E o que não está aos nossos olhos e ouvidos?
As dores do mundo. As dores do mundo são as dores de cada um de nós, onde a dor de cada um é refletida em nós, na nossa incapacidade de sermos melhores e de construirmos um mundo melhor, da mesma forma que o que nos faz sofrer é refletido nos outros. Porque a ferida do outro é nossa própria ferida, que nos coloca frente a frente com as fragilidades e vulnerabilidade de nossa humanidade que ainda não conseguiu a vivência em plenitude do ser fraterno, do ser irmão, do verdadeiro amor. Somos aprendizes, mas aprendizes que sofrem com as perdas, com os descaminhos, com tudo que nos desagrada, mas que rapidamente cede a tentação da rotina que endurece o coração, que nos desumaniza. Somos aprendizes que sabemos o que não queremos, mas que não conseguimos construir o que queremos.
Mas sabemos amar, temos a emoção à flor da pele, temos sorriso farto, somos apaixonantes por sermos seres tão instigantes, cada um naquilo que lhe é único, na peculiaridade de cada SER. Trazemos conosco a divina partícula do princípio da criação, trazemos o universo em nós e somos seres integrantes dele. Somos aquilo que produzimos e o que histórico e socialmente construímos. Então se hoje convivemos com as agruras de uma sociedade edificada pelas guerras, pelas disputas, pelas diferenças, pelo autoritarismo, pelo poder financeiro corruptor e tantas outras mazelas, já está na hora de tecermos uma nova teia, uma teia que não nos sufoque e não nos esmague, ou que não arrebente, nos permitindo despencar no abismo da incredulidade, do rancor, do ódio, do desamor.
Precisamos edificar verdadeiramente a CULTURA DA PAZ. Nossa revolução, não pode mais ser com armas mirabolantes, ou pela força física, mas precisa ser a revolução do auto-conhecimento, do amor consciente e da crença incondicional na HUMANIDADE e suas positivas possibilidades. Mas essa idéia e concepção, é só o primeiro movimento do primeiro passo. Muito temos a fazer, como por exemplo, buscar dentro de nós, em nossas reflexões respostas as questões como: O que tenho feito no meu dia a dia que contribui para o bem estar daqueles com os quais eu convivo, ou até mesmo daqueles que esporadicamente eu encontro, pelas ruas, na casa ao lado, no meu trabalho? Como me relaciono com as crianças com as quais convivo? Que exemplo deixo para elas? Como as educo? O que tenho ensinado para elas? Edifico com as palavras ou o que mais faço é martelar eternas lamentações e maledicências? Somos vulneráveis aos constantes assédios e tentações do mundo que nós mesmos edificamos, mas somos mais vulneráveis ao que está dentro do nosso mais profundo ser, porque é lá que nos escondemos, que guardamos o que não permitimos transparecer aos outros e que de quando em vez, escapole nos momentos de tensão, quando somos confrontados com nossos limites.
Às vezes penso que se em meio às atribulações dos nossos dias, nesse tempo tão efervescente em que nos encontramos, nos perdemos em meio as nossas fragilidades, ou se permitimos que sentimentos outros nos ocupem o ser, talvez nossa sina da atualidade seja estarmos em vigília constante, por nós, pela nossa sociedade, pelo mundo, pela PAZ.
Claudia Conte