domingo, 7 de fevereiro de 2016

CARNAVAL - QUANDO A TRADIÇÃO FALA MAIS ALTO E A ANCESTRALIDADE SE DESTACA

Inaugurando as postagens do Blog no ano de 2016, destacamos nas festividades do Carnaval, a abertura em Recife, onde o religioso e o profano se fundem e prevalece tradicionalmente a ancestralidade, as raízes da cultura afro-brasileira. A sugestão fica por conta da reportagem a seguir:



Fonte: www.carnaval.uol.com.br 








quinta-feira, 10 de setembro de 2015

7 de SETEMBRO – INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Na última segunda-feira (7 de setembro), como de praxe, fui à rua principal de Leopoldina, cidade em que resido, participar do desfile em homenagem ao “Dia da Independência”. Como em todos os anos, as escolas desfilam pela Rua Barão de Cotegipe, algumas apresentam temas da atualidade, outras remetem a fatos da nossa história, como também, várias exibem suas fanfarras – alegria de muitos alunos. Eu acompanhei a escola pública onde atuo como Supervisora e mais uma vez fiquei a me questionar qual seria o real significado deste evento pra todas aquelas pessoas ali presentes, sejam as que desfilavam ou as que assistiam. Qual o sentimento que paira sobre todos nós? Como nos vemos e nos percebemos num ato de civismo, no exercício de “patriota”? Uma certeza eu tive: mudamos muito! Vou usar até de um clichê, “na minha época era bem diferente!”. Mudanças são necessárias, mas o que nos diz a nossa mudança?

Fiquei a lembrar de quando eu como aluna passei por essa mesma rua, com o uniforme completo, marchando – sim marchávamos, tínhamos até mesmo que ensaiar a marcha por vários dias que antecediam o desfile, era como um rito, ainda em meio a regras rígidas, mas num país que queria muito escrever uma nova história. Lembrei-me que por uma única vez conseguimos desfilar com a camisa do nosso recém empossado Grêmio Estudantil – parecia até um ato de subversão, era o nosso ato político, buscando ser conscientes e atuantes no país em que crescíamos e que junto com nós se desenvolvia. Inclusive esta era uma citação recorrente: “O Brasil é um país em desenvolvimento”.

Sonhei muito com este país desenvolvido. Sonhei com a inclusão dos considerados excluídos socialmente; sonhei com a democracia política sendo exercida em plenitude; sonhei com a cultura, a arte transbordando em nossas vidas, em todos os cantos e lugares; sonhei com a poesia cantada em versos e prosas nas praças, quintais, varandas, jardins...; sonhei com a música fazendo parte do currículo escolar; sonhei com a diversidade nas escolas, nas ruas, sem distinção de raça, cor, gênero, crença religiosa e por fim sonhei com um país em que todos sabiam ler, escrever e exerciam sua cidadania e autonomia, letrados para a vida.

Vários dos meus sonhos eu precisei reeditar ao longo da minha caminhada. Pra uns busquei justificativa; pra outros fui entregando ao tempo; há os que eu procurei me aprofundar, tentando compreender os fios que tecem e mantém a nossa “teia” social; frustrei-me e até me indignei; em alguns momentos me esgotei; renovei forças, aprendendo novos caminhos e formas de caminhar sem perder o foco donde chegar.

Mas nenhum destes sonhos gritou tão forte em meus ouvidos como o que vivi quando voltava pra casa ao final do Desfile Cívico pelo Dia da Independência, nessa última segunda-feira, 7 de setembro de 2015. Passando no Supermercado, fui abordada por uma mulher (negra, aparentando de quarenta a cinqüenta anos no máximo), me pedindo para achar entre as prateleiras um xampu anti-caspa. Num primeiro momento pensei que ela queria uma opinião sobre qual seria a melhor marca, mas logo depois ela completou o pedido dizendo que NÃO SABIA LER e precisava muito do xampu. Mostrei a mercadoria solicitada, ela me agradeceu com um sorriso e um certo acanhamento, que não me pareceu ser por não saber ler, pois ela me disse isso com tanta naturalidade que beirava o conformismo. Parecia incomodada pelo problema que estava passando com os cabelos, mas a sua “independência” não estava pra ela limitada ao domínio da leitura, mas “dependia” de sua disposição de pedir e poder contar com o ledor, caso este também assim estivesse disposto.

Naquele dia comemorávamos o Dia da Independência. Será que podemos realmente tocar arautos e gritar aos quatro cantos que “somos uma Nação independente”? Onde está a nossa independência? Ela está num ato simbólico, num ato político, numa convenção? – lembrando que em termos econômicos a Declaração da Independência nos anos de 1822 nos custou cara, já que o Brasil contraiu uma dívida com a Inglaterra, pra pagar os dois milhões de libras esterlinas exigidas por Portugal pra “nos libertar”. Cento e noventa e três anos deste ato e eu ouço num só dia dois gritos: um reafirmando e reverenciando a Independência do Brasil e outro do povo brasileiro, que parece nos dizer: “Ei, não sou independente, não tenho minha autonomia, estou excluído!”.

Acredito que uma Nação que ainda segrega socialmente uma grande parcela de sua população, por muitos não serem alfabetizados e ainda não letrados, precisa mudar o seu “grito” e trazer pra concretude o que já há muito tempo deveria deixar de ser uma limitada e mera falácia ou um sonho do qual nunca acordamos. Vale lembrar aqui, a insistente afirmação da educadora Magda Soares: “ensinar por meio da língua e, principalmente, ensinar a língua são tarefas não só técnicas, mas também políticas” na “luta contra as discriminações e as desigualdades sociais” (SOARES, 2000, p.79)

Desperta “Gigante pela própria natureza, belo, forte e impávido colosso! 
Acorda do sonho eterno em berço esplêndido!” 

segunda-feira, 16 de março de 2015

POR QUE TANTO ÓDIO?

Encerrei este dia 15 de março de 2015 com um desconforto em relação ao que assisti através dos meios de comunicação e uma indagação: POR QUE TANTO ÓDIO?

Manifestações populares deveriam ser encaradas com naturalidade em um país democrático, como o natural exercício da nossa cidadania, confrontando ideias, opiniões e concepções políticas. No mundo das ideias as pessoas não deveriam ter posturas tão agressivas como muitas das que ocorreram nas ruas. POR QUE TANTO ÓDIO?

Vi pessoas levantando faixas com símbolos nazistas; vi pessoas empunhando cartazes desejando a morte de outras; vi bonecos pendurados pelo pescoço em viadutos, representando a presidente Dilma e o ex-presidente Lula - me fez lembrar as imagens da tradicional "malhação do judas", entre os eventos da Semana Santa; também vi inúmeras faixas e cartazes clamando por "intervenção militar", inclusive entre os jovens, parecendo um devaneio ensandecido, um completo reverso do movimento natural de evolução e amadurecimento dos regimes democráticos; vi mulheres segurando frases do tipo "Feminicídio sim" - e não entendi nada. POR QUE TANTO ÓDIO?

Sejam quais forem as forças e influências que arregimentaram os protestos deste dia 15 de março, mesmo que entre muitas pessoas levadas por essa "onda", a intenção seja a de querer um país melhor, sem corrupção, a de provocar a reflexão e as mudanças necessárias cobrando dos poderes aquilo que os compete, pairou sobre os manifestantes uma nuvem de ódio, fomentada pelos que destilaram sua raiva projetando-a principalmente na figura da presidente, quase que como uma rusga pessoal.

Em meio aos nossos conflitos sociais, em que tem prevalecido a intolerância, seja por diferença de gênero, cor, sexualidade, religião, entre outros, talvez não seja tão difícil entender o porque da "mulher" presidente do país ser o grande alvo. Por pouco os manifestantes não cantaram um dos clássicos do grande Chico Buarque: "(...) Joga a pedra na Geni, joga bosta na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspi (...) maldita Geni!". Mas não faltou o popular e chulo "Vai tomar no (c)!". Em alguns momentos eu não sabia se assistia a uma manifestação popular ou a um grande escárnio público.

O que resultou esta raiva contida? O que mais incomoda? Incomoda estar na presidência do país uma mulher? Incomoda esta mulher não estar dentro dos padrões de beleza institucionalizados para a "mulher brasileira"? Incomoda ter que tolerar pessoas com renda mais baixa frequentando lugares outrora limitado a alguns privilegiados? Incomoda a luta pelas igualdades sociais?  Incomoda que esta presidente além de ser mulher tenha um passado de luta e perseguição política no período da ditadura militar e ter sido colocada no rol dos comunistas que "mancharam" o país de vermelho? Ou incomoda a corrupção e os vultuosos desvios de dinheiro público promovendo o enriquecimento ilícito dos operadores dos "grandes esquemas" e dos beneficiários deles? Este último incomoda a todos nós. Mas diz respeito a vários outros personagens deste trágico e triste enredo. Mas parece ser mais fácil escolher um "judas", bom neste caso em particular, "uma judas".

Em meio a essa explosão de sentimentos, colocando muitos a "flor da pele", é comum que a cegueira e a surdez se instalem de forma generalizada e o discernimento se perca. Assim a "onda" vem arrastando muitos, na avalanche de interesses ocultos que estrategicamente vão puxando as cordas das marionetes, no jogo dos poderes, na roda viva do capitalismo desenfreado, que traz a frente os que já do alto do pedestal - pelo grande poder econômico que possuem - se recusam a descer um pouco que seja, mesmo que fosse só a direção do seu olhar. Como poucas andorinhas "não vão fazer verão", o arrebatamento precisa ser volumoso e pra isso, contam com um grande poder em mãos: as mídias de comunicação, que sempre vão promover o que por si mesmo institucionalizam como verdade.

Como um nostálgico contraste, neste dia 15 de março de 2015, completamos 30 anos do fim da ocupação militar no governo brasileiro. Foi em 15 de março de 1985, que o Sr. José Sarney assumiu a presidência do Brasil, no lugar daquele que havia sido escolhido pelo Colégio Eleitoral, o Sr. Tancredo Neves, mas que por um infortúnio, foi hospitalizado neste mesmo dia.

Trinta anos depois desse significativo episódio para a consolidação do nosso processo democrático, deveríamos comemorar a trajetória política até aqui delineada e construída. Mas me pareceu estarmos mais para a alienação histórica do que para a consciência do nosso percurso enquanto Nação em desenvolvimento. Talvez, ao gritar nas ruas para retrocedermos a ocupação militar, as pessoas estejam a entender que seria este um "caminho mais fácil", já que receber ordens para muitos parece ser mais fácil que pensar, formar suas próprias ideias, tomar decisões, participar de assembleias, conviver coletivamente, discutir, escolher... Mas entre receber ordens e obedecer há uma distância considerável e que só pode ser exercida quando temos liberdade pra isso, mediando pela argumentação. Mas depois que abrirmos mão da nossa democracia e entregarmos aos militares o poder, onde estará a nossa LIBERDADE?

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

CASA GRANDE E SENZALA – FRANÇA, NIGÉRIA, NAZISMO – O QUE TEMOS NÓS COM ISTO?

Nos últimos dias os atentados na França tomaram os noticiários e demais veículos de comunicação. Mas o que tem reverberado em meus pensamentos são as seguintes questões: “Por que parece que nos comovemos muito mais com os atentados na França que mataram 17 pessoas, do que com as 2 mil mortes nos últimos atentados terroristas na Nigéria?”; “Por que a pouca divulgação e mobilização em relação ao que vem acontecendo ostensivamente na Nigéria?”.

A primeira imagem que me saltou na mente como uma possível resposta foi o ícone da “Casa Grande e Senzala”. Longe de achar que não temos que nos consternar com as perdas de vidas na França em atos de violência terrorista e a ameaça a liberdade de expressão, mas o que vem absurdamente acontecendo na Nigéria, que de forma extremada avilta a nossa própria condição de convivência humana, pela quantidade de mortes; pelo tempo em que vem ocorrendo; pela crueldade com que as vidas são ceifadas; pelo completo desrespeito aos Direitos Humanos, deveria ter ocupado os meios considerados “nobres” de comunicação, a chamada “grande mídia”, tanto para nos informar mais sobre as ocorrências quanto para demonstrar a resposta do mundo aos fatos.

O que incomoda é o fato de que as atrocidades que vem acontecendo na Nigéria desde o ano de 2009 – somando um contingente aproximado de 10 mil mortes, além de ações como sequestros de 100 mulheres, uso de crianças para portar bombas em ataques, fechamento de escolas, entre outros – não tenham sido, até o presente momento, objeto de uma mobilização mundial como a ocorrida após um único ataque na França. Pra termos uma idéia da gravidade do que vem ocorrendo na Nigéria, segundo as autoridades, é uma crise humanitária em que mais de três milhões de pessoas são afetadas. “A insurgência no nordeste da Nigéria, travada pelo grupo militante islâmico Boko Haram, é hoje uma das campanhas mais mortíferas na África” (2015, BBC África).

Mas o que está oculto nessa história? Por que foi preciso que algumas personalidades – a exemplo do Arcebispo Ignatius Kaigama dizendo que “a mobilização internacional contra o extremismo não pode ocorrer somente quando há um ataque na Europa” – e alguns grupos se manifestassem, reclamando a pouca atenção à região africana para que algumas notícias e chamadas em jornais, e até mesmo uma reportagem no programa Fantástico (Rede Globo), dissesse algo sobre as ações do Boko Haram na Nigéria? Volto a dizer, só consegui respostas considerando o mito da “Casa Grande e Senzala”. Não vencemos esse mito, que parece ainda estar arraigado em nós. A Europa, a França representa a Casa Grande dos Senhores, dos “patrões”, dos mandatários e a Nigéria não passa da Senzala, da Casa dos Escravos, do negro servil ao homem branco. Nessa lógica – sem lógica alguma em termos de relações humanas e diversidade cultural –, pra que vamos nos preocupar tanto com esses negros? Exemplo disso foi o que ouvi da boca de alguém que se diz “intelectual”: “Morrem muitos na África, mas são muitos e eles são tão ignorantes, matam-se uns aos outros e agora aderiram ao extremismo do Estado Islâmico, sinal de pouca cultura, de pouco entendimento”. Essa expressão “são muitos” quer nos dizer o quê?

Que justifica-se o massacre pela quantidade de pessoas que vivem por lá? Dizer que se matam uns aos outros, quem são os outros, quem somos nós? Não somos todos um único povo, uma única aldeia, ou o discurso da globalização só é preponderante pela conveniência do momento e da situação da vez? Dizer que são ignorantes, facilmente influenciáveis é muito cômodo, pois nada mais é do que renegá-los a uma condição de inferioridade como sempre fizemos. Quem teria que responder pelos poucos investimentos em desenvolvimento nesses países?

A Europa hoje decadente economicamente – e que se fez pela colonização exploratória no passado de outros países, entre eles, países do continente africano –, inclusive dependendo hoje da mão de obra de imigrantes negros, insiste, pela nossa própria condescendência, em ser “superior” – até mesmo na dor. Lembrei-me de alguns colegas moçambicanos da turma do Mestrado que sempre reclamavam da nossa visão estereotipada em relação a eles, como se todos lá vivessem em tribos, pois as perguntas a eles direcionadas eram na maioria das vezes sobre as savanas, pouco era lembrado da vida urbana de Moçambique, comum a todas as cidades grandes com suas intempéries.

Hoje, dia 27 de janeiro, “Dia Internacional da Lembrança do Holocausto”, em que rememoramos o genocídio nazista em massa contra os judeus (e também a outros como: ciganos, poloneses, comunistas, homossexuais, prisioneiros de guerra soviéticos e deficientes físicos e mentais), com uma estimativa de 11 milhões de mortes, é pra nós uma fundamental referência para refletirmos sobre as atuais mortes e guerras por grupos extremistas no mundo. Intolerância, discriminação, preconceito e a utópica possibilidade de uma classificação da humanidade entre “raças” superiores, ou o que agora tem sido tão insistente, uma ideologia política e religiosa superior. A eterna justificativa “dos meios pelos fins” e nestes casos, fins nada nobres e meios ainda mais absurdos. Mas o que se destaca em meio as minhas preocupações é que as ações de Hitler e seus seguidores nazistas foi uma loucura assumida, anunciada e propagada e hoje, ao mesmo tempo em que apontamos os extremistas radicais da atual sociedade, nas diferentes partes do mundo, não estamos fazendo o exercício de buscar em nós os nossos próprios extremismos, nossas próprias ideologias e crenças. Essa revisão tem que acontecer, para o bem de todos nós e pela saúde de nossa sociedade mundial. Mas ela tem que partir da seguinte indagação direcionada a cada um de nós:

“O QUE REALMENTE ME INCOMODA?”
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REFERÊNCIA

CHOTHIA, Farouk. Boko Haram: como os militantes nigerianos ficaram tão poderosos?. BBC África. 2015. Disponível em <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150126_boko_analise_lk> Acesso jan 2015

IMAGENS (disponíveis na internet, pesquisa por imagem, www.google.com):
- Engenho Noruega - ilustração de Cícero Dias - Casa-Grande & Senzala (FREIRE, Gilberto. 1993)
- Boko Haram demands prisioner swap for kidnapped girls (www.dailymail.co.uk)
- Dia do Holocausto (www.aquieuaprendi.blogspot.com)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

RESSACA CULTURAL, MORAL, CIDADÃ...

Posso afirmar que o sentimento que tem me assolado nos últimos dias é de RESSACA. É como se tivesse me embriagado por uma estética disforme, desfigurada, de um cenário trash, no qual eu me sinto uma intrusa ao mesmo tempo em que percebo que sou mais um dos coadjuvantes dessa “cena” chamada de Leopoldina, que como dizia o músico poeta*: “(...) sonora verdade (...) minha cidade”.

Não consigo no momento cantar todos os versos, pois seria por demais contraditório, no presente “ato”, dizer “mineira gostosa”, mas não me furtaria em destacar entre os versos a inspiradora constatação: “alienada em função do futuro (...)”.

Por que não “mineira gostosa”? Porque uma cidade em que lixos espalhados passaram a ser rotina em todos os bairros, ruas, cantos, disputados por cachorros e por jovens em brincadeiras nada agradáveis, não pode ser “gostosa”. Porque uma cidade em que os buracos são constantes nas ruas e nas calçadas, isso quando se tem calçadas, não pode ser “gostosa”. Porque uma cidade em que decepam árvores, arrancam história, desprezam a cultura e o patrimônio, não pode ser “gostosa”.

Fui surpreendida, há dias atrás, com uma cena que tem reverberado em minha memória e as vezes de súbito ela transborda em minha mente. Com isso percebi que precisava compartilhar o ocorrido e minhas indagações. Estava eu passando pela Rua Barão de Cotegipe, neste Município de Leopoldina, num início de noite quando ao parar pra conversar com amigas em frente a Casa/Museu em que viveu o poeta Augusto dos Anjos, percebi uma movimentação de pessoas, que pouco a pouco se dirigiam a árvore que existe em frente a referida casa e depositavam ali, aos seus pés, um saco de lixo. E quando me voltei para a árvore percebi que a base de seu tronco foi tomada por lixo. Foi quando uma das amigas chamou a atenção para observarmos as demais árvores da rua, em frente a outros logradouros e assim constatamos que não haviam sacos de lixo aos pés de outras árvores, ou seja, o local “escolhido” pelas pessoas para depositar o lixo foi exatamente na árvore em frente a única Casa/Museu que temos na cidade, uma das nossas referências patrimoniais, símbolo da cultura leopoldinense, reconhecida em inúmeros lugares, pelo importante acervo histórico e material do poeta paraibano Augusto dos Anjos.

Desde então venho me indagando sobre o significado desse ato. O quê realmente isso nos diz? Seria aquela “Casa” invisível às pessoas? Por que exatamente ali seria o local de colocar o lixo? Qual a representação simbólica daquele lugar, daquele espaço para as pessoas? Ou será que na verdade ela não representa nada para as pessoas, ao ponto de não ser percebida na sua qualidade de ícone da cultura local? Seria ela para as pessoas uma simples casa velha, em que não mora ninguém, por isso seria permitido depositarem ali o lixo? Outra hipótese que pensei é que talvez pela iluminação em frente a casa entenderam ser um bom local para colocar os sacos de lixo para a coleta pelos lixeiros e desavisadamente não teriam percebido que estão “promovendo” a Casa, em que o poeta Augusto dos Anjos passou seus últimos dias, a lixeira da rua. Percebi que tudo isso produziu em mim um misto de indignação, com admiração e até mesmo um silêncio profundo que me congelou e precisei de alguns dias pra conseguir soltar minha voz e falar sobre isso.
 

O que acontece na Leopoldina em que vivemos? O que estamos produzindo? Qual é nossa verdadeira tradição e o que é cultura pra nós? E por fim, por que jogam lixo em frente a Casa/Museu em que viveu o poeta Augusto dos Anjos????






*(Fragmentos dos versos do Músico/Poeta: Serginho do Rock)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

DIAS MELHORES VIRÃO


2014... Todas as vezes que ritualizamos a passagem de um ano para o outro ficamos a nos encorajar e encorajar as demais pessoas, a renovar as forças com a impressão de recomeçar. Depositamos nossa “esperança em dias melhores” no rito convencionado pela contagem de nossos dias através de um calendário, que tenta traduzir em números os ciclos solares e lunares do Planeta Terra.

Esperança de ser mais feliz, de ter uma situação mais estável, de poder viver com mais paz, de se preocupar menos... e de tantas outras coisas que cada um de nós elegemos como conquista para o “novo ano”. Não há de negar que mesmo sendo uma convenção cultural e um rito social, não deixa de ser um ato meio místico, e até mágico, em que pessoas se congratulam e congregam de uma mesma “esperança em dias melhores”.

É como um cheiro novo no ar, uma energia diferente que paira sobre nós, plasmada talvez pela força de um inconsciente coletivo, em que milhões de pessoas, mesmo que silenciosamente, guardam em si a mesma expectativa, a mesma sensação, de que tudo pode mudar, que podemos ter “esperança em dias melhores”. Até os mais céticos e os amargurados talvez guardem dentro de si um pequeno cerne desse sentimento.

Que seja pela fé, ou pela convenção, ou por modismo, ou ainda pelo ritual, pela festa, pela confraternização, pelo que for, mas se em algum cantinho dentro de nós, até mesmo por um lapso de segundo pensamos ou sentimos a “esperança em dias melhores”, já valeu a pena ter chegado até aqui.

FELIZ ANO NOVO!!! “DIAS MELHORES VIRÃO

ESTOU VOLTANDO....

COM MUITA VONTADE DE FALAR, ESCREVER, REFLETIR E TUDO MAIS QUE ESTE ESPAÇO ME PERMITIR...

ESTOU VOLTANDO!!...
 
 

domingo, 26 de maio de 2013

CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE LEOPOLDINA - CONAE 2014

Segunda-feira, dia 27 de maio, acontecerá a "II Conferência Municipal de Educação de Leopoldina - CONAE 2014". O evento será no CAIC de Leopoldina a partir das 8h e é a etapa municipal da Conferência Nacional de Educação prevista para fevereiro de 2014 em Brasília. 

A Conferência Nacional de Educação tem caráter mobilizador e propositivo, canalizando as aspirações e expectativas da sociedade brasileira, construindo com o Poder Executivo e Legislativo propostas para a definição e implementação de políticas públicas para a educação e a CONAE 2014 traz como tema principal "O Plano Nacional de Educação (PNE) na Articulação do Sistema Nacional de Educação: Participação Popular, Cooperação Federativa e Regime de Colaboração".

O que garante a legitimidade de uma conferência como esta é a participação democrática da sociedade, representada por todos os segmentos governamentais e não governamentais em todas as instâncias da nossa federação. Dessa forma são realizadas, precedendo a Conferência Nacional em 2014, as Conferências Municipais, Intermunicipais e Estaduais.
As discussões, proposições e encaminhamentos se darão em torno de sete Eixos Temáticos pré-definidos pela CONAE, sendo:
  • Eixo I: O PNE e o Sistema Nacional de Educação: Organização e Regulação;
  • Eixo II: Educação e Diversidade: Justiça Social, Inclusão e Direitos Humanos;
  • Eixo III: Educação, Trabalho e Desenvolvimento Sustentável: Cultura, Ciências, Tecnologia, Saúde, Meio Ambiente;
  • Eixo IV: Qualidade da Educação: Democratização do Acesso, Permanência, Avaliação, Condições de Participação e Aprendizagem;
  • Eixo V: Gestão Democrática, Participação Popular e Controle Social;
  • Eixo VI: Valorização dos Profissionais da Educação: Formação, Remuneração, Carreira e Condições de Trabalho;
  • Eixo VII: Financiamento da Educação, Gestão, Transparência e Controle Social dos Recursos.
Conforme destaca Moacir Gadotti:  "A gestão democrática não é só um princípio pedagógico. É também um preceito constitucional. O parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal de 1988 estabelece como cláusula pétrea que 'todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente', consagrando uma nova ordem jurídica e política no país com base em dois pilares: a democracia representativa (indireta) e a democracia participativa (direta), entendendo a participação social e popular como princípio inerente à democracia".

Vamos participar e fazer parte desse importante capítulo da história da Educação Brasileira!!!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

SOCIEDADE, TRADIÇÃO, CULTURA E EDUCAÇÃO

É comum hoje em dia quando falamos da escola, elencarmos problemas como: "escolas em áreas de vulnerabilidade social; professores desestimulados; alunos desinteressados; violência na escola; público diverso e a necessidade de saber lidar com essa diversidade no ambiente escolar; resultados insatisfatórios no rendimento escolar; índices consideráveis de repetência; abandono escolar, entre outros". Diante desse ‘muro de lamentações’ ficam no ar os questionamentos: como a escola responde a esse mundo de diversidade (?), como a escola corresponde a sociedade atual (?), quais as palavras que poderíamos associar a escola que expressasse seu significado na nossa sociedade (?).

Abrindo as postagens deste Blog no ano de 2013, trago as providenciais contribuições do Professor Rubem Barboza Filho (2012) para essas questões que tanto nos inquietam. O texto propõe uma reflexão histórica sobre o que nos constituiu enquanto sociedade e indivíduosAo passearmos rapidamente por nossa história, provocando reflexões sobre nossa cultura e tradições e a construção de nossos ideários, significados e referências, temos a linguagem como representação de um povo, como a própria razão desse povo, pois a língua está presente em tudo, na palavra, nos gestos, nas ações, etc. Barboza Filho ressalta que a verdade sai do campo dogmático e vai para o campo da linguagem e que toda língua tem seus espaços de razões, sendo que quem cria a língua, um ‘jogo de linguagem’ é a experiência concreta da sociedade, de seu povo. Mas o autor também nos lembra que a língua não é só o território da liberdade, ela é também o território da tradição e precisamos conhecer e dominar a sua tradição para podermos realizar os diferentes jogos de linguagem.

Observando os conjuntos específicos de formas de vida que estão presentes na nossa linguagem e considerando a sociologia, podemos destacar três linguagens: a linguagem dos interesses, da razão e dos afetos. (CONTINUAR LENDO)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

AVALIAÇÃO EDUCACIONAL

Com o segundo semestre, passando o mês de agosto, ficam as escolas públicas mineiras às portas das avaliações externas. Prevista para o mês de setembro, a aplicação das avaliações do Programa de Avaliação da Alfabetização (PROALFA), que integra o Sistema Mineiro de Avaliação (SIMAVE)¹, está perto e é comum que as escolas estejam numa rotina intensa e direcionada ao que ainda for possível intervir na aprendizagem dos alunos. O PROALFA avalia no Ensino Fundamental, de forma censitária, as turmas do 3º ano do Ensino Fundamental e de forma amostral, as turmas do 2º e 4º ano, nas escolas públicas (rede estadual e municipal).

Não demora muito e já estaremos no mês de novembro, período previsto para a aplicação das avaliações do Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (PROEB/SIMAVE), que avalia o desempenho de todos os alunos do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e dos alunos do 3º ano do Ensino Médio, das escolas públicas de Minas Gerais. Vale ainda lembrar que o SIMAVE também aplica as avaliações do Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE), sendo um programa restrito às escolas estaduais, iniciou avaliando as turmas do 1º ano do Ensino Médio, no início e final do ano letivo, e nesse ano de 2012 está sendo estendido aos Anos Finais do Ensino Fundamental, tendo as escolas iniciado o segundo semestre envolvidos com essa avaliação.

Como percebemos, se considerarmos também as avaliações propostas pelo Governo Federal, entre Prova Brasil, Provinha Brasil e até mesmo o próprio ENEM (que no caso não é obrigatório, mas chega a ser hoje, pela conotação que tem, quase que uma unanimidade e necessidade para os alunos do 3º ano do Ensino Médio), as escolas passam grande parte de seu tempo, envolvidas com avaliações externas. Uma situação que vale destacar é que esse envolvimento com avaliações vai além da edição das respectivas avaliações aqui citadas, uma vez que, no decorrer do ano, entre uma avaliação e outra, é comum que as escolas e equipes técnicas que acompanham estas, programem e apliquem as chamadas ‘avaliações diagnósticas’, que são utilizadas de certa forma, como ‘simulados’ das avaliações oficiais.

Com essa realidade, é imprescindível que as escolas e seus profissionais reflitam sobre o processo de avaliação educacional, refletindo inclusive sobre o próprio desenvolvimento do currículo. Compreender os objetivos das avaliações, o currículo e não perder o ‘fio da meada’ no processo educacional é fundamental para o desenvolvimento qualitativo e equitativo no percurso escolar dos nossos alunos. Buscando contribuir com essa reflexão, trago considerações sobre um artigo da Profª Magda Soares, intitulado: “Avaliação Educacional e Clientela Escolar”, que muito pode nos ajudar nesse entendimento e na práxis do cotidiano escolar (abaixo o link de acesso):

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¹ SIMAVE: Sistema Mineiro de Avaliação, disponível em: Acesso em 17 ago 2012.