domingo, 16 de março de 2008

Por quê de tanta violência?

Nessa última semana fiquei bastante incomodada com as notícias nos meios de comunicação que retratavam excesso de violência entre as pessoas no trânsito. Tanta intolerância! Cenas onde pessoas saíam do carro e batiam em outras, umas já com armas em punho atirando e fazendo vítimas como crianças e outras pessoas que nada tinham com as discussões. Hoje, abri o jornal de domingo pela manhã e me deparei com a notícia de primeira página sobre a intolerância religiosa no Rio de Janeiro, onde pessoas estão sendo intimidadas e expulsas de suas comunidades por sua crença religiosa. Cenas de opressão, de perseguição, que provoca em nós uma triste sensação de volta ao passado. É como se no nosso movimento espiral para a evolução, estivéssemos numa curva baixa, onde nos aproximamos muito dos tempos inquisitores, do credo escontido e contido nos porões. Agora a noite, num programa de televisão, vi uma reportagem sobre brigas entre alunos em Escolas (públicas e privadas). Brigas que estão provocando mutilações, cicatrizes (no corpo e na alma) e risco de morte. E como frase da vez (de um dos agressores): "não levo disaforo para casa, revido na hora". Por quê? E o quê fazermos? Como estaremos no futuro próximo?
Espero não passar a idéia de pessimismo ou negativismo extremo, não é esta a intenção. Pretendo provocar uma reflexão, chamando a atenção para a mudança urgente de comportamento, de atitude (individual e coletiva). Todos somos responsáveis pela sociedade que construimos e que estamos construindo a todo instante - "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória". O quê estamos semeando agora nesse exato momento? Intolerância, omissão, egoísmo, impaciencia, fúria, discriminação, preconceito, tristeza...
Precisamos de um esforço diário, coletivo e insistentemente disciplinado, para semearmos a pasciência, a compaixão, a fraternidade, a alegria, a fé, o amor incondicional, a crença absoluta no poder da humanidade de ser melhor e de construir uma sociedade possível para todos. Parece sonho? Mas se assim for, o que é o sonho senão a primeira etapa do que queremos. Tudo começa no sonho e se realiza nas pessoas e a partir delas. Precisamos ampliar o nosso "olhar" e abrir cada vez mais nossa "escuta" em relação ao outro. E precisamos educar as crianças, amá-las em primeiro lugar, incondicionalmente, porque o amor, nos faz respeitar. Educá-las nos valores fundamentais da convivência humana, na ética, mas tudo com alegria, sem sofrimento, mas com a firmeza e consistência de quem sabe que constrói uma sociedade plena, que se auto sustenta e se desenvolve em convivência pacífica entre os homens e a natureza. E não uma sociedade predatória, que se auto-destrói e destrói sua própria casa, deixando uma história amarga para poucos sobreviventes contarem.
Me recolhi para repousar com o coração em esperança, porque também nessa noite de domingo, vi uma reportagem na televisão sobre um Bombeiro que morreu no cumprimento de seu dever, onde o destaque era sua história de vida. Ele foi acolhido por uma família quando menino, nas ruas de uma cidade do Espírito Santo, onde vivia, cometia pequenos furtos, estava lá, como mais um dos nossos "Guris", aparentemente sem esperança, sendo apontado por todos nós, como o "Menino de Rua" que "não tem jeito". Mas ele teve jeito, acolhido, educado, amado, respeitado, se fez Homem, se fez Profissional, se fez Herói Nacional e nos mostrou que a humanidade é plena de possibilidades e que o bem pode prevalecer, mas precisamos querer, acreditar e agir.
A esse ilustre Menino, Homem, Bombeiro, Herói e a sua Mãe, dedico minhas reflexões e minha crença.
Claudia Conte

Um comentário:

Folha Estudantil disse...

Olá Claudia. Parabéns pelo excelente conteúdo disponibilizado no seu Blog!
Um abraço,

Rodolfo.