segunda-feira, 1 de abril de 2019

ENTRE A SIMPATIA, A IDOLATRIA E A HERANÇA MALDITA

E o governo divulga um vídeo, dizendo que em 31 de março de 1964, "o exercito nos salvou, que só cumpriu o seu papel, que tirou o Brasil da escuridão...", e depois informa não saber quem divulgou ou de quem é a autoria do próprio vídeo que foi divulgado pelo Palácio do Planalto. 

Tenho ficado na dúvida ultimamente, se estamos sendo governados por uma equipe de incompetentes, aparvalhados e meio patetas, que se atropelam uns aos outros o tempo todo, ou por uma equipe ardilosa, que nos faz parecer que são atrapalhados e enquanto isso, vão pelas beiradas impondo suas vontades, ideias, como num jogo de ganhar vantagem, impondo uma política de acirramento da desigualdade, privilegiando um grupo específico que deve ter "pagado" para garantir o acúmulo cada vez maior de sua renda, colocando o povo, no desprivilegio do empobrecimento moral, intelectual e financeiro.

O que será de nós em meio a tudo isso? Vejo ainda pessoas que insistem em culpar a esquerda, o PT, como se nada mais fosse problema, como se um milagre, promovido por uma pessoa que elevaram a condição de mito, mas que "paga mico" a todo instante, fosse a nossa redenção. Usando de um discurso  que apela para a defesa da boa moral e os bons costumes, passam por cima de todo um percurso histórico de construção de uma democracia - democracia esta, que pelos últimos acontecimentos, parece estar longe de se consolidar, além dos nossos textos legais.

As pessoas estão se permitindo serem confundidas. Uma coisa é ser simpático aos militares, respeitarem as forças armadas, acharem que a atuação destes garante nossa segurança e a outra coisa é a idolatria insana, que tripudia em cima da dor de tantos que sofreram na própria carne os abusos de um regime que dominou o nosso país por anos, tolhendo nossa liberdade, estimulando um modelo  econômico e social perverso, que acirrou a concentração de renda e nos legou uma das piores e mais vergonhosas páginas de nossa história. Aviltar, violar, violentar, torturar, matar, desrespeitar pessoas e famílias, pela força bruta, pela imposição da auto posição que criaram pra si, por terem surrupiado o poder numa manobra golpista, não pode ser exaltado como o bom legado das nossas Forças Armadas pra nós. Deveriam era ter vergonha de terem feito parte dessa trágica página da nossa história, a contribuição pra ser realmente considerada como valorosa, teria que ter sido outra, bem diferente...

Somos todos "filhos do Golpe de 64", herdeiros dele e por assim ser, é fundamental que conheçamos muito bem nossa herança.

domingo, 31 de março de 2019

64 FOI GOLPE SIM

Não tenho por hábito publicar qualquer coisa que seja em que o Sr presidente apareça, promovendo palanque para o mesmo, mas a notícia que ouvi agora, na fala do porta-voz da Presidência da República, anunciando que o presidente da república deseja que o golpe militar  de 1964 seja comemorado nos quartéis do país e que o mesmo não teria sido golpe e sim uma ação necessária para "salvar" o país de coisas muito pior, é por demais absurda, fora do contexto e afronta o próprio povo brasileiro, afronta todos os que lutaram, sofreram, que foram torturados, exilados, que choraram o desaparecimento dos seus... 

É um desrespeito à nossa Nação, à República Brasileira que no transcurso da nossa história vem construindo e reconstruindo a Democracia neste país. Dizer que o que aconteceu em 1964 não foi golpe e insinuar que se não tivesse ocorrido hoje o Brasil poderia ter tido um governo que não seria bom para o país, é uma fala tendenciosa, unilateral, que não condiz com a fala de um representante de uma Nação, que mais uma vez, fala por si, de forma pessoal, como se governar o Brasil fosse mandar no quintal da sua casa. Não assume o presidente o verdadeiro papel de um Chefe de Estado que tem que falar por todo o seu povo, respeitando as especificidades e o nosso percurso histórico. Lamentável. Está tudo tão inusitado que parece que estamos vivendo um delírio, um transe nacional... 

"É incompatível com o Estado Democrático de Direito festejar um golpe de Estado e um regime que adotou políticas de violações sistemáticas aos direitos humanos e cometeu crimes internacionais", diz  nota assinado pelos procuradores Deborah Duprat, Domingos Sávio da Silveira, Marlon Weichert e Eugênia Gonzaga, o documento afirma que a postura de Bolsonaro para que se comemore o golpe de 1964 nos quartéis é de "enorme gravidade constitucional" e "incompatível com o Estado Democrático de Direito" e que ele pode ser judicialmente reprimido; para o órgão, a atitude do presidente "soa como apologia à prática de atrocidades massivas e, portanto, merece repúdio social e político, sem prejuízo das repercussões jurídicas"
(...) Utilizar a estrutura pública para defender e celebrar crimes "atenta contra os mais básicos princípios da administração pública, o que pode caracterizar ato de improbidade administrativa, nos termos do artigo 11 da Lei n° 8.429, de 1992", destaca.

Se não houver da parcela da sociedade, que tem esclarecimento e discernimento em relação a gravidade de tal ato, uma ação efetiva, situações ainda mais graves e alarmantes, poderão acontecer. Nossa democracia está ferida, abalada; a onda de ódio propagada pela equipe que responde pelo país pode gerar precedentes descontrolados e podemos ser surpreendidos cada vez mais, com o aviltamento de nossos direitos mais fundamentais. É momento de rever nossas convicções e a forma como agimos em nossas ideologias. Momentos de exceção, especiais, requerem de nós ações também especiais, muito além do que já fizemos até aqui, precisamos abrir outros caminhos na forma de FAZER POLÍTICA, de viver e sobreviver nesse país...

terça-feira, 26 de junho de 2018

PREZADOS PAIS, MÃES, RESPONSÁVEIS, ALUNOS E ALUNAS, COMUNIDADE

A Educação Pública é um direito fundamental, garantido na Constituição Federal, nossa Lei Maior. Ocorre que em Minas Gerais, esse direito tem sido negligenciado pelo Governo do Estado, que tem atrasado verbas de manutenção das escolas, verba do transporte escolar, entre outras restrições, que acabam por impactar diretamente no ensino e consequentemente em nossos alunos e alunas. Não bastasse essa situação, nós os Trabalhadores da Educação da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais, temos sido desprivilegiados e desrespeitados mês a mês, com uma política remuneratória de constantes atrasos e parcelamentos de salários, sendo atualmente a categoria de trabalhadores do Estado renegados a instabilidade de não saber “QUANDO” vamos receber; “QUANTO” vamos receber e; “COMO” vamos receber.

Mês a mês temos que nos desdobrar para tentar cumprir com nossos compromissos no provimento de nossos lares, das nossas necessidades básicas, como também, de nossas famílias, renegociando nossas dívidas e nos privando de bens e serviços que são direitos de todos os indivíduos para o bem viver. Vivemos na incerteza, sobressaltados com a expectativa de ter ou não nosso sustento e nesse último mês a situação se tornou ainda mais crítica, pois além de recebemos em escala de pagamento, em que os Servidores da Educação são divididos pelos valores de seus salários, ocorreram atrasos nas datas previstas e o recebimento foi ainda mais fracionado, tendo servidores ainda no aguardo de seus proventos. E para piorar ainda mais, os Servidores Aposentados tiveram os salários mais atrasados, tendo recebido uma simples parcela de R$ 500,00 (quinhentos reais), ficando até esta semana no aguardo da complementação de seus vencimentos. Entre esses profissionais – que escreveram sua história na Educação Mineira e muitos destes foram nossos professores –, estão pessoas idosas, com necessidades de saúde, de sobrevida e que não tem mais idade de viverem surpresas tão desagradáveis.

Cabe-nos também esclarecer que não são todos os Servidores Públicos de Minas Gerais que estão nessa situação. O Governo de Minas fez suas “escolhas” e definiu quais as categorias de Servidores deveriam receber seus salários regularmente e até mesmo com eventuais aumentos e nessas “escolhas”, ficamos nós, os Profissionais responsáveis pela formação escolar de nossas crianças, jovens e adultos, fora da prioridade do Governo. Critério este que fere o princípio básico da justiça salarial e isonomia entre os servidores públicos, nos dividindo em categorias não oficiais, que nos levam a vários questionamentos e a um sentimento forte de desvalorização do nosso trabalho e até mesmo, da Educação no Estado de Minas Gerais.

Nosso único recurso foi usar do nosso poder de luta através de movimento grevista, mas não gostamos de estar em greve, não ficamos felizes por não ir as escolas em que atuamos e muito nos preocupa sim e nos incomoda o fato dos alunos ficarem sem aula. Mas precisamos ser ouvidos, enxergados e respeitados como a Categoria de Trabalhadores que deveria ser a mais valorizada, pois a formação de todos os demais profissionais, dependem dos PROFESSORES. Precisamos ter condições de trabalhar sem a preocupação se vamos ou não receber, sem saber QUANDO, QUANTO e, COMO.

Você, trabalharia sem remuneração? Você, conseguiria fazer um bom trabalho sem saber como vai pagar suas contas e se vai ter condições de sustentar sua família? Você, trabalharia com a conta da farmácia atrasada, precisando de remédios pra você ou para pessoas de sua família? Você, conseguiria fazer um bom trabalho sabendo que seu empregador não valoriza seu trabalho? Se a resposta para essas questões for o NÃO, você já entendeu porque os Profissionais da Educação do Estado de Minas Gerais precisam fazer greve.

Por uma EDUCAÇÃO DE QUALIDADE; pela DIGNIDADE dos TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO; pelo RESPEITO aos APOSENTADOS; pelo nosso SUSTENTO e nossa SAÚDE FÍSICA e EMOCIONAL; pelas nossas CRIANÇAS e JOVENS e por uma SOCIEDADE JUSTA para TODOS; CONTAMOS COM SEU APOIO!!

Agradecemos,
Trabalhadores da Educação do Estado de Mina Gerais
Claudia Conte dos Anjos Lacerda
Professora de Educação Básica na Rede Estadual em Leopoldina

#SomosTodosProfessores #DireitoDeReceberNoQuintoDiaÚtil #DireitoTrabalhistaParaTodos #AposentadoMereceRespeito #NenhumDireitoAMenos #NãoAbandoneNossosAposentados #SomosTodosEducadores #QuemLutaEduca #GovernadorPagueNossoSalário

domingo, 17 de junho de 2018

QUERIDOS(AS) AMIGOS(AS) PROFESSORES(AS), COLEGAS DE TRABALHO


Creio que estamos vivendo um momento muito especial, que aponta para uma atitude coerente nossa, independente do que tenhamos que arcar posteriormente. Inclusive, a nossa coesão e união agora é o que vai garantir a força para o Sindicato negociar posteriormente as questões de reposição e/ou reparação quanto ao calendário escolar, da maneira que melhor nos atenda. Uma coisa é negociar a bem de uma determinada parcela de servidores, a outra coisa é negociar para uma Classe de Trabalhadores. Nos valorizar enquanto uma Categoria é fundamental para “sermos valorizados”.

Precisamos usar de nossa capacidade de crítica, fazendo uma leitura ampla da atual conjuntura em que nos encontramos, lembrando que somos nós, principalmente, os profissionais que trabalham com o pensamento, com o desenvolvimento deste pensamento crítico e isso nos coloca na condição de usarmos prioritariamente essa visão global do que ocorre hoje com nossa Classe de Trabalhadores e mais especificamente em Minas Gerais, Estado ao qual estamos vinculados como Trabalhadores da Educação.

Alguns de nós receberam uma PARCELA de seu pagamento na tarde da última sexta-feira, que nos leva a considerar quatro pontos relevantes:
  •        Deveríamos, por lei, receber no quinto dia útil – o que não acontece já há algum tempo;
  •        Não recebemos no dia em que o Estado divulgou as datas da chamada “Escala de Pagamento” (que passou a ser rotina em nosso Estado), ficando todos apreensivos mediante um comunicado de que não havia uma previsão para recebermos, pois o Governo pagaria na medida em que, segundo eles, entrasse recursos da arrecadação estadual;
  •        O Governo pagou outros servidores estaduais por um critério de prioridade estabelecido pelo próprio Governo, que segundo o mesmo precisa “fazer escolhas” e nessas escolhas priorizou categorias, como a dos servidores da Segurança Pública, que segundo o Governo tem desempenhado “um serviço de qualidade, apresentando excelentes números para o Estado” – tal afirmação contribui para desagregar os servidores estaduais, já que coloca um categoria de trabalho em situação de superioridade e excelência em detrimento de outras que passam a se sentir completamente desvalorizados, mesmo que tenham que tentar fazer o melhor de si em condições bem adversas, sem as devidas estruturas, em ambientes de trabalho sucateados, com verbas de manutenção atrasadas, entre outras restrições no Quadro de Pessoal, como é o caso da categoria dos Profissionais da Educação em MG;
  •        Além de atrasado, o Estado depositou somente parte do pagamento, deixando muitos servidores sem receber e renegou aos aposentados (chamados de inativos) uma condição ainda pior pois os mesmos só receberão na terça-feira, uma parcela ainda inferior a que parte de nós receberam na tarde da sexta-feira.

Refletindo sobre todas essas adversidades que temos enfrentado constantemente e considerando que já somos preteridos pelo Governo Estadual, não poderíamos também entre nós desprezar toda essa situação e também nos categorizarmos, limitando nosso olhar, centralizando os nossos interesses no pouco que recebemos, como se isso fosse a migalha do que merecemos e esquecendo dos demais servidores (ativos e inativos) que integram nossa Categoria. Não somos uma Categoria Profissional feita de uma parcela de servidores, somos uma Categoria que respeita o nosso percurso histórico, tudo que nos constituiu até aqui, feito pelos servidores que já se afastaram de suas ações diretas mas que escreveram a história das nossas escolas e da Educação em Minas Gerais (aqueles que o Governo chama de inativos). Somos sim uma GRANDE Categoria  de Profissionais, que carece de melhor se organizar em Classe Trabalhadora, valorizando o papel de cada um na construção de nossas ações junto a sociedade e nas escolas nas quais atuamos.

Fica aqui alguns questionamentos finais: A quem é mais interessante a nossa divisão entre os que recebem mais e menos, entre as parcelas pagas primeiro e depois? A quem é mais interessante a nossa fragmentação e divergências de ideias, de posturas, de ações? A quem é mais interessante o nosso olhar e ação individual em detrimento do olhar e ação coletiva? E uma última pergunta: Seremos nós a única categoria de trabalhadores do Governos Mineiro que temos que entender e sofrer com os problemas políticos da atual gestão, será sempre sobre nós as maiores consequências da apregoada herança do Estado falido e das supostas perseguições políticas???...

Termino minha reflexão com uma suposição que outrora pairou em meus pensamentos: supunha eu que um Governo que é eleito com a bandeira de um partido de base trabalhista que ostenta ideologias socialistas, teria como prioridade a grande massa de suas categorias trabalhadoras e valorizaria a Educação como sua principal política. Meu choque de realidade foi quando o atual Governo mineiro ao assumir, logo de início, ter beneficiado os Secretários de Estado com 45% de aumento, porque seus salários estavam congelados... Supus eu que o contrato social e político dos integrantes deste Governo poderia ter sido outro...

Tomara possamos entender que podemos tão somente contarmos uns com os outros...

Profª Claudia Conte
Leopoldina, MG

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

MOVIMENTAÇÕES PALACIANAS X LIBERDADE

Chega a ser inusitado o que estamos a assistir no Brasil. Neste dia 14 de setembro de 2017 vi sobre as denúncias apresentadas pelo então Procurador da República que envolvem diretamente aquele que responde pela Presidência do País. Depois ouvi um texto lido que segundo o apresentador do telejornal seria a nota do então presidente. Uma fala por sinal, bem ofensiva, nada elegante ou "republicana", palavra esta que tomou conta ultimamente de declarações e falas diversas... 

O que seria então ter uma fala ou uma ação republicana? Já nem reconheço mais esta nossa esmerada República a brasileira. Escutei falas de comentaristas hoje se referindo as "movimentações palacianas", me soou quase como um déjà-vu de uma derrotada monarquia. Aliás é sempre bom lembrar que a nossa República foi fruto de um golpe ao Imperador e depois aquele que deu o golpe, foi golpeado e destituído da presidência da "República", por outro que talvez tenha se achado o mais republicano de todos. Golpes e golpes...

Estranho contar a história do Brasil assim, de golpes em golpes e ter que conviver com uma república mal resolvida, com líderes golpistas que agem como se fossem imperadores, numa democracia que parece não ter se consolidado ainda. Conchavos espúrios pelo "poder" e de uns tempos pra cá, cada vez mais e entre um número maior de pessoas/políticos/governistas, pelo poder financeiro, fazendo de milhões e bilhões quantias básicas nas transações de interesses particulares, camufladas em serviços e/ou empreitadas públicas, como se o bem público fizesse parte de um baú, em que todos os que se intitulam os poderosos, podem abrir e consumir seus tesouros.
Mas ainda fico com a crença de que vamos girar essa roda e vamos renovar essas práticas e ideias, mesmo que não seja na sua totalidade, mas que seja com mais clareza, verdade, mais equidade, mais equilíbrio e justiça social, com a garantia digna dos direitos de todas as pessoas de bem viver, de conviver em sociedade, de se responsabilizar pelo bem comum, com ética e "liberdade".






segunda-feira, 1 de maio de 2017

DIA DO TRABALHADOR - COMEMORAÇÃO, REFLEXÃO OU AÇÃO?

E neste dia 1º de maio de 2017 comemoramos mais um "Dia Mundial do Trabalhador". Fica difícil não relacionar este dia com o momento que estamos vivendo atualmente em nosso país. Nas vésperas dessa dia  tramitou na Câmara dos Deputados e conquistou os votos da maioria do Senhores Deputados Federais, o projeto de lei que altera as relações de trabalho, até então consolidadas no país na forma de "Leis do Trabalho", pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. O título de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), não sustentou em si o próprio nome, pois o que seria "consolidado", veio no decorrer dos anos, desde a década de 1940, sendo remendado, virando uma grande colcha de retalhos, como o que acontece com muitas das grandes leis que se propõe garantir os chamados DIREITOS neste país.

Mas quando passamos os olhos no texto da CLT, percebemos muitas dessas alterações foram questões de ordem prática, que diziam respeito a forma de registros, ou seja, questões burocráticas, operacionais e outras para a própria adequação ao texto da Constituição de 1988. Mas o que estamos vivenciando com a proposta de reforma no Projeto de Lei 6.787/2016 é a maior reforma estrutural das Lei de Trabalho brasileira. No mínimo 100 itens estão na proposta e dizem respeito, em sua grande maioria, as questões mais específicas de relações de trabalho, entre empregado e empregador. Os pontos envolvem flexibilização e aumento de jornada de trabalho; demissões coletivas; não obrigatoriedade de pagamento de hora-extra; divisão dos dias de férias; pagamento dos honorários pelo empregado, no caso de dos processos trabalhistas; a contribuição sindical facultativa e; até a arbitragem na solução de conflitos trabalhistas, entre muitos outros pontos polêmicos. O Projeto de Lei passou bem pela Câmara e agora segue para o Senado Federal em meio a dúvidas e apreensão da maior parte da população, ao mesmo tempo em que é defendida pelo atual governo como solução para melhorar os índices de desemprego no país, que também na última semana foi divulgado como o pior dos últimos cinco anos, com um aumento nesse primeiro trimestre de 2017 de 13,7%, segundo dados do IBGE, o que nos leva a uma taxa de desocupação de 14,2 milhões de pessoas.

A propaganda do governo insinua e tenta sugerir que a reforma traria modernidade, tornaria as relações mais flexíveis, quebrando a rigidez do que eles chamam de uma lei antiquada, ultrapassada para os tempos atuais, no atual mercado de trabalho. Mas essa argumentação governamental tem soado estranha aos nossos ouvidos, tem até doído em muitos desses pontos, já que por mais que busquemos essa chamada "modernidade", não encontramos as vantagens para o trabalhador. O projeto nos parece mais um cobertor a cobrir e proteger o empregador, as grandes corporações, empresas e até ao próprio governo enquanto empregador ao mesmo tempo que parece deixar ao léu, entregue a própria sorte, e praticamente "nu", o trabalhador. Dói aos nossos ouvidos, olhos, na pele e até no estômago, como um grande soco, a diluir os chamados "Direitos Trabalhistas"...

E não bastasse o "pacote" de "presentes" do ano de 2017, no embalo vem a proposta de Reforma da Previdência, que na desculpa de resolver um déficit, ou um suposto rombo (que não se configura pela própria legislação que garante a chamada Seguridade Social), quer colocar nas costas do trabalhador uma conta que não é sua, imputando neste uma responsabilidade pela irresponsabilidade, falta de eficiência, eficácia e competência dos poderes constituídos, que já há algum tempo arrastam o país a um caos econômico e social.

Quando buscamos na origem da palavra TRABALHO, encontramos uma definição não muito nobre para esta, que vem, de certa forma, carregada de uma semântica opressora. Segundo Triviños (1984), o Dicionário Aurélio designaria umas 20 acepções básicas e expressões para a palavra trabalho, dado a sua significação e resignificação desde sua origem e nos períodos representativos no decorrer dos anos. A palavra originaria do termo latino "tripalium", que denominava um instrumento de tortura composto por três paus (século VI). Podemos dizer então, que originalmente, "trabalhar" significava ser torturado no "tripalium" e os torturados, ou seja, os que "trabalhavam" eram os escravos, os pobres, os destituídos de posse que não podiam pagar impostos. Este sentido, de um fazer pesado, dolorido, sacrificante, que subjuga o "trabalhador" se arrastou pela antiguidade e por toda a Idade Média e só no século XIV tem seu sentido atribuído de forma mais genérica como o é assim entendido até os tempos atuais: "aplicação das forças e faculdades (talentos, habilidades) humanas para se alcançar um fim" (TRIVIÑOS, 1984). Mas o leque de significados da palavra TRABALHAR se abre a partir da Revolução Industrial com todos os processos culturais e sociais advindos desta época.

Fica pra nós a questão: e agora, na atual conjuntura, o que significa TRABALHAR?? Poderíamos dizer que o peso da tortura da antiguidade ainda está sobre nós? Ou já resignificamos totalmente essa expressão e TRABALHAR é o sentido da vida, pois nos faz produtivos, nos faz produtores do nosso mundo, da nossa vida, da nossa cultura e sociedade? Mas quando, pela força do nosso trabalho, não podemos usufruir de nossa própria produção, não estaríamos de certa forma reproduzindo ainda uma relação de opressão, de tortura?? 

Há que se refletir e muito. Mas não para ficarmos na simples reflexão ou inerte discussão. Há de se refletir para a ação se fazer e assim "consolidarmos" o sentido de trabalho como o que "dignifica o homem, como maneira do seu humano se relacionar com a natureza", na certeza de que "matar a possibilidade de trabalhar é matar a possibilidade de viver" (Shoshana Zuboff).
Em tempo de perdas de direito, de instabilidade, de desemprego... O que dizer? O que comemorar no Dia do Trabalhador no Brasil? Comemoramos os milhões de trabalhadores brasileiros que aderiram a paralisação do dia 28 de abril "consolidando" o movimento como a maior greve geral da história do Brasil.


Referência:
TRIVIÑOS, Augusto Nivaldo Silva. Revista Educação e Realidade. Porto Alegre. FACED-UFRGS,v.9, nº1, 1984.
Imagens: Google Imagens

sábado, 29 de abril de 2017

ENTRE A COMODIDADE, A ALIENAÇÃO E A URGÊNCIA DO "FAZER"


Um século depois e ainda não entendemos isso. Não entendemos as relações entre capital e trabalho, não entendemos que a produção está na mão do trabalhador, que sem a produção os que se acham donos do capital não terão o capital. Consequentemente, se o trabalhador é o verdadeiro dono da produção também é dono do capital, com direito de usufruir deste pela sua própria força de trabalho e produção. Não entendemos que trabalhar e não poder usufruir da sua própria produção é um sistema perverso, de uma sociedade que oprime, que segrega, que exclui que desqualifica as pessoas em detrimento de uma minoria que muito pode ter e acumular, as custas da grande massa que cada vez menos tem.

A grande massa do povo brasileiro escolheu se calar e fechar os olhos (o que é um direito de cada um - sua própria escolha); escolheu entregar totalmente na mão dos senhores parlamentares as decisões quanto aos nossos destinos civis (parlamentares estes, na sua grande maioria, que comodamente esqueceram o lugar que deveriam ocupar e o papel que deveriam cumprir, em nome de um povo e de uma Nação e já há um bom tempo, exercem seus mandatos exclusivamente para atender interesses pessoais); escolheu aceitar uma Reforma de um Sistema de Previdência Social (que não precisava de reforma e sim de que os governantes promovessem uma gestão mais eficaz e eficiente dos recursos públicos e parassem de usurpar a Previdência, assim como fazem desde a década de 1990); escolheu se fragmentar, se diluir em desavenças partidárias, institucionais, em que o bem comum - que deveria ser o objetivo de todos - se perdeu, obscurecido pelas relativas verdades individuais, pelos egos exacerbados, pela animosidade das expectativas imprecisas, descarregadas entre as pessoas, transfigurando o que é relação social e institucional em relação pessoal.

Talvez seja essa a realidade a ser vivida no momento atual: abrir mão de direitos trabalhistas, consolidados ao longo dos anos; abrir mão de direitos outros, conquistados nos últimos anos as custas de muita mobilização de parte da população e de segmentos representativos da nossa sociedade; abrir mão de um satisfatório Sistema Previdenciário e trabalhar por mais tempo, até a idade mais avançada e ao final ainda aposentar com um salário menor, que talvez não garanta nossa condição e qualidade de vida na velhice, assumindo assim o pagamento de uma conta que não é nossa, mas que voluntariamente vamos pagar; abrir mão da nossa capacidade de decisão, de exercício participativo e democrático, de fiscalizar os poderes, de cobrar a reta ação dos nossos representantes nos poderes, de organização social.


Depois de abrirmos a mão e "soltarmos" tudo isso, se pelo menos nós conseguirmos "formar" uma geração mais consciente, ativa, solidária e fraterna, que assuma de forma sustentável sua própria história, sendo protagonista dela, TUDO BEM!!!!! Podemos ficar tranquilos...

quinta-feira, 9 de março de 2017

HOJE EU RECEBI FLORES

Muito grato é receber homenagens, cartões, lindas mensagens, externando a maravilha de "SER MULHER". Mas neste dia 08 de março de 2017 (Dia Internacional da Mulher), mais do que qualquer outro dia, é dia de CONSCIENTIZAÇÃO,  dia de REFLEXÃO, dia de fraterno e solidário COMPROMISSO com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, porque hoje é "DIA DE RECEBER FLORES..."

No Brasil, a cada 90 min. uma mulher é assassinada...


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A DERIVA NUM TURBULENTO MAR

Nesta quinta-feira uma pessoa querida me incentivou a voltar a escrever no meu Blog. E isso foi bom porque me fez refletir o quanto eu gosto de escrever e me levou a questionar sobre o porque de não fazer uso, mais costumeiramente, desta possibilidade e até mesmo, por que não dizer, desta faculdade/capacidade de expressão. Lembrei-me inclusive das vezes que as ideias ficam a borbulhar na minha mente e que na falta de um canal de expressão, me levam a falar sozinha, a ter as paredes, o ar, o espelho, como meus interlocutores, dada a necessidade de colocar pra fora o que trafega pela minha mente, como eco do meu próprio pulsar... Parece coisa de maluco, mas quem não tem suas maluquices que atire a primeira pedra.

Bom, restabelecendo mais uma vez o compromisso comigo mesma, retomo minha escrita. E qual seria o tema deste texto, além da revelação da necessidade de falar, de registrar meus pensamentos, reflexões e ideias? O assunto do dia 19/01/2017 é a morte do Ministro Teori Zavascki (STF), que arrasta pela rede social um emaranhado de insinuações, acusações, especulações, conjecturas... Enfim, mais uma vez nós, o povo brasileiro, confrontados com nossa triste realidade: sucessivos acontecimentos desestabilizantes, que além de nos “tirar o chão”, a cada novo flash, nos provocam incertezas, desânimo, descrença, falta de direção, de rumo, esgotamento, dúvidas... e muitas outras sensações que beiram a uma ressaca, que faz parecer não ter fim...

Mas como conviver com tudo isso, já que parece irremediável no momento essa convivência? É, a palavra é esta, “conviver”, viver com, viver junto, do latim: COM = junto + VIVERE = viver. A realidade social e política atual nos leva a essa convivência, nada agradável, com toda essa turbulência, envolvendo nossos gestores, os representantes dos “poderes” da terra Brasilis. Mas é bom que fique claro que nossa convivência não pode ser confundida com conveniência ou conivência. Uma coisa é ter a clareza sobre o momento conturbado que estamos vivendo, outra coisa é dizer que somos condizentes, ou que o momento presente por nós é aceitável. Reconhecer criticamente as ocorrências é bem diferente que aceitar com naturalidade o que acontece.

Nos resta rogar aos deuses de nossa crença que nos dê sanidade, discernimento e clareza neste momento, para que as “ondas” não nos arrebatem e fiquem a nos empurrar e nos jogar contra as falésias ou as docas e diques; para que encontremos logo o nosso cais, o nosso porto seguro em meio a tantos maremotos. Que tenhamos a serenidade no pensar e o coração prevaleça em parceria furtiva com a razão, para que assim, o ódio não faça morada em nosso “ser”. A essência é nossa e isso ninguém nos tira, só se permitirmos.


Nesse final de dia, direciono meus sentimentos as famílias dos que partiram nesse trágico episódio. Desejando que as almas dos que se foram, sejam poupadas de todo o eco que reverbera da massa brasileira que apesar dos encontros e desencontros, nada mais quer do que a paz, a segurança de uma vida feliz, próspera e fraterna. Mas por hoje, ainda ficamos com as incertezas, os gritos, palavras de ordem e lamentos...