terça-feira, 27 de janeiro de 2015

CASA GRANDE E SENZALA – FRANÇA, NIGÉRIA, NAZISMO – O QUE TEMOS NÓS COM ISTO?

Nos últimos dias os atentados na França tomaram os noticiários e demais veículos de comunicação. Mas o que tem reverberado em meus pensamentos são as seguintes questões: “Por que parece que nos comovemos muito mais com os atentados na França que mataram 17 pessoas, do que com as 2 mil mortes nos últimos atentados terroristas na Nigéria?”; “Por que a pouca divulgação e mobilização em relação ao que vem acontecendo ostensivamente na Nigéria?”.

A primeira imagem que me saltou na mente como uma possível resposta foi o ícone da “Casa Grande e Senzala”. Longe de achar que não temos que nos consternar com as perdas de vidas na França em atos de violência terrorista e a ameaça a liberdade de expressão, mas o que vem absurdamente acontecendo na Nigéria, que de forma extremada avilta a nossa própria condição de convivência humana, pela quantidade de mortes; pelo tempo em que vem ocorrendo; pela crueldade com que as vidas são ceifadas; pelo completo desrespeito aos Direitos Humanos, deveria ter ocupado os meios considerados “nobres” de comunicação, a chamada “grande mídia”, tanto para nos informar mais sobre as ocorrências quanto para demonstrar a resposta do mundo aos fatos.

O que incomoda é o fato de que as atrocidades que vem acontecendo na Nigéria desde o ano de 2009 – somando um contingente aproximado de 10 mil mortes, além de ações como sequestros de 100 mulheres, uso de crianças para portar bombas em ataques, fechamento de escolas, entre outros – não tenham sido, até o presente momento, objeto de uma mobilização mundial como a ocorrida após um único ataque na França. Pra termos uma idéia da gravidade do que vem ocorrendo na Nigéria, segundo as autoridades, é uma crise humanitária em que mais de três milhões de pessoas são afetadas. “A insurgência no nordeste da Nigéria, travada pelo grupo militante islâmico Boko Haram, é hoje uma das campanhas mais mortíferas na África” (2015, BBC África).

Mas o que está oculto nessa história? Por que foi preciso que algumas personalidades – a exemplo do Arcebispo Ignatius Kaigama dizendo que “a mobilização internacional contra o extremismo não pode ocorrer somente quando há um ataque na Europa” – e alguns grupos se manifestassem, reclamando a pouca atenção à região africana para que algumas notícias e chamadas em jornais, e até mesmo uma reportagem no programa Fantástico (Rede Globo), dissesse algo sobre as ações do Boko Haram na Nigéria? Volto a dizer, só consegui respostas considerando o mito da “Casa Grande e Senzala”. Não vencemos esse mito, que parece ainda estar arraigado em nós. A Europa, a França representa a Casa Grande dos Senhores, dos “patrões”, dos mandatários e a Nigéria não passa da Senzala, da Casa dos Escravos, do negro servil ao homem branco. Nessa lógica – sem lógica alguma em termos de relações humanas e diversidade cultural –, pra que vamos nos preocupar tanto com esses negros? Exemplo disso foi o que ouvi da boca de alguém que se diz “intelectual”: “Morrem muitos na África, mas são muitos e eles são tão ignorantes, matam-se uns aos outros e agora aderiram ao extremismo do Estado Islâmico, sinal de pouca cultura, de pouco entendimento”. Essa expressão “são muitos” quer nos dizer o quê?

Que justifica-se o massacre pela quantidade de pessoas que vivem por lá? Dizer que se matam uns aos outros, quem são os outros, quem somos nós? Não somos todos um único povo, uma única aldeia, ou o discurso da globalização só é preponderante pela conveniência do momento e da situação da vez? Dizer que são ignorantes, facilmente influenciáveis é muito cômodo, pois nada mais é do que renegá-los a uma condição de inferioridade como sempre fizemos. Quem teria que responder pelos poucos investimentos em desenvolvimento nesses países?

A Europa hoje decadente economicamente – e que se fez pela colonização exploratória no passado de outros países, entre eles, países do continente africano –, inclusive dependendo hoje da mão de obra de imigrantes negros, insiste, pela nossa própria condescendência, em ser “superior” – até mesmo na dor. Lembrei-me de alguns colegas moçambicanos da turma do Mestrado que sempre reclamavam da nossa visão estereotipada em relação a eles, como se todos lá vivessem em tribos, pois as perguntas a eles direcionadas eram na maioria das vezes sobre as savanas, pouco era lembrado da vida urbana de Moçambique, comum a todas as cidades grandes com suas intempéries.

Hoje, dia 27 de janeiro, “Dia Internacional da Lembrança do Holocausto”, em que rememoramos o genocídio nazista em massa contra os judeus (e também a outros como: ciganos, poloneses, comunistas, homossexuais, prisioneiros de guerra soviéticos e deficientes físicos e mentais), com uma estimativa de 11 milhões de mortes, é pra nós uma fundamental referência para refletirmos sobre as atuais mortes e guerras por grupos extremistas no mundo. Intolerância, discriminação, preconceito e a utópica possibilidade de uma classificação da humanidade entre “raças” superiores, ou o que agora tem sido tão insistente, uma ideologia política e religiosa superior. A eterna justificativa “dos meios pelos fins” e nestes casos, fins nada nobres e meios ainda mais absurdos. Mas o que se destaca em meio as minhas preocupações é que as ações de Hitler e seus seguidores nazistas foi uma loucura assumida, anunciada e propagada e hoje, ao mesmo tempo em que apontamos os extremistas radicais da atual sociedade, nas diferentes partes do mundo, não estamos fazendo o exercício de buscar em nós os nossos próprios extremismos, nossas próprias ideologias e crenças. Essa revisão tem que acontecer, para o bem de todos nós e pela saúde de nossa sociedade mundial. Mas ela tem que partir da seguinte indagação direcionada a cada um de nós:

“O QUE REALMENTE ME INCOMODA?”
...................................................................................................

REFERÊNCIA

CHOTHIA, Farouk. Boko Haram: como os militantes nigerianos ficaram tão poderosos?. BBC África. 2015. Disponível em <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150126_boko_analise_lk> Acesso jan 2015

IMAGENS (disponíveis na internet, pesquisa por imagem, www.google.com):
- Engenho Noruega - ilustração de Cícero Dias - Casa-Grande & Senzala (FREIRE, Gilberto. 1993)
- Boko Haram demands prisioner swap for kidnapped girls (www.dailymail.co.uk)
- Dia do Holocausto (www.aquieuaprendi.blogspot.com)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

RESSACA CULTURAL, MORAL, CIDADÃ...

Posso afirmar que o sentimento que tem me assolado nos últimos dias é de RESSACA. É como se tivesse me embriagado por uma estética disforme, desfigurada, de um cenário trash, no qual eu me sinto uma intrusa ao mesmo tempo em que percebo que sou mais um dos coadjuvantes dessa “cena” chamada de Leopoldina, que como dizia o músico poeta*: “(...) sonora verdade (...) minha cidade”.

Não consigo no momento cantar todos os versos, pois seria por demais contraditório, no presente “ato”, dizer “mineira gostosa”, mas não me furtaria em destacar entre os versos a inspiradora constatação: “alienada em função do futuro (...)”.

Por que não “mineira gostosa”? Porque uma cidade em que lixos espalhados passaram a ser rotina em todos os bairros, ruas, cantos, disputados por cachorros e por jovens em brincadeiras nada agradáveis, não pode ser “gostosa”. Porque uma cidade em que os buracos são constantes nas ruas e nas calçadas, isso quando se tem calçadas, não pode ser “gostosa”. Porque uma cidade em que decepam árvores, arrancam história, desprezam a cultura e o patrimônio, não pode ser “gostosa”.

Fui surpreendida, há dias atrás, com uma cena que tem reverberado em minha memória e as vezes de súbito ela transborda em minha mente. Com isso percebi que precisava compartilhar o ocorrido e minhas indagações. Estava eu passando pela Rua Barão de Cotegipe, neste Município de Leopoldina, num início de noite quando ao parar pra conversar com amigas em frente a Casa/Museu em que viveu o poeta Augusto dos Anjos, percebi uma movimentação de pessoas, que pouco a pouco se dirigiam a árvore que existe em frente a referida casa e depositavam ali, aos seus pés, um saco de lixo. E quando me voltei para a árvore percebi que a base de seu tronco foi tomada por lixo. Foi quando uma das amigas chamou a atenção para observarmos as demais árvores da rua, em frente a outros logradouros e assim constatamos que não haviam sacos de lixo aos pés de outras árvores, ou seja, o local “escolhido” pelas pessoas para depositar o lixo foi exatamente na árvore em frente a única Casa/Museu que temos na cidade, uma das nossas referências patrimoniais, símbolo da cultura leopoldinense, reconhecida em inúmeros lugares, pelo importante acervo histórico e material do poeta paraibano Augusto dos Anjos.

Desde então venho me indagando sobre o significado desse ato. O quê realmente isso nos diz? Seria aquela “Casa” invisível às pessoas? Por que exatamente ali seria o local de colocar o lixo? Qual a representação simbólica daquele lugar, daquele espaço para as pessoas? Ou será que na verdade ela não representa nada para as pessoas, ao ponto de não ser percebida na sua qualidade de ícone da cultura local? Seria ela para as pessoas uma simples casa velha, em que não mora ninguém, por isso seria permitido depositarem ali o lixo? Outra hipótese que pensei é que talvez pela iluminação em frente a casa entenderam ser um bom local para colocar os sacos de lixo para a coleta pelos lixeiros e desavisadamente não teriam percebido que estão “promovendo” a Casa, em que o poeta Augusto dos Anjos passou seus últimos dias, a lixeira da rua. Percebi que tudo isso produziu em mim um misto de indignação, com admiração e até mesmo um silêncio profundo que me congelou e precisei de alguns dias pra conseguir soltar minha voz e falar sobre isso.
 

O que acontece na Leopoldina em que vivemos? O que estamos produzindo? Qual é nossa verdadeira tradição e o que é cultura pra nós? E por fim, por que jogam lixo em frente a Casa/Museu em que viveu o poeta Augusto dos Anjos????






*(Fragmentos dos versos do Músico/Poeta: Serginho do Rock)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

DIAS MELHORES VIRÃO


2014... Todas as vezes que ritualizamos a passagem de um ano para o outro ficamos a nos encorajar e encorajar as demais pessoas, a renovar as forças com a impressão de recomeçar. Depositamos nossa “esperança em dias melhores” no rito convencionado pela contagem de nossos dias através de um calendário, que tenta traduzir em números os ciclos solares e lunares do Planeta Terra.

Esperança de ser mais feliz, de ter uma situação mais estável, de poder viver com mais paz, de se preocupar menos... e de tantas outras coisas que cada um de nós elegemos como conquista para o “novo ano”. Não há de negar que mesmo sendo uma convenção cultural e um rito social, não deixa de ser um ato meio místico, e até mágico, em que pessoas se congratulam e congregam de uma mesma “esperança em dias melhores”.

É como um cheiro novo no ar, uma energia diferente que paira sobre nós, plasmada talvez pela força de um inconsciente coletivo, em que milhões de pessoas, mesmo que silenciosamente, guardam em si a mesma expectativa, a mesma sensação, de que tudo pode mudar, que podemos ter “esperança em dias melhores”. Até os mais céticos e os amargurados talvez guardem dentro de si um pequeno cerne desse sentimento.

Que seja pela fé, ou pela convenção, ou por modismo, ou ainda pelo ritual, pela festa, pela confraternização, pelo que for, mas se em algum cantinho dentro de nós, até mesmo por um lapso de segundo pensamos ou sentimos a “esperança em dias melhores”, já valeu a pena ter chegado até aqui.

FELIZ ANO NOVO!!! “DIAS MELHORES VIRÃO”

ESTOU VOLTANDO....

COM MUITA VONTADE DE FALAR, ESCREVER, REFLETIR E TUDO MAIS QUE ESTE ESPAÇO ME PERMITIR...

ESTOU VOLTANDO!!...
 
 

domingo, 26 de maio de 2013

CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE LEOPOLDINA - CONAE 2014

Segunda-feira, dia 27 de maio, acontecerá a "II Conferência Municipal de Educação de Leopoldina - CONAE 2014". O evento será no CAIC de Leopoldina a partir das 8h e é a etapa municipal da Conferência Nacional de Educação prevista para fevereiro de 2014 em Brasília. 

A Conferência Nacional de Educação tem caráter mobilizador e propositivo, canalizando as aspirações e expectativas da sociedade brasileira, construindo com o Poder Executivo e Legislativo propostas para a definição e implementação de políticas públicas para a educação e a CONAE 2014 traz como tema principal "O Plano Nacional de Educação (PNE) na Articulação do Sistema Nacional de Educação: Participação Popular, Cooperação Federativa e Regime de Colaboração".

O que garante a legitimidade de uma conferência como esta é a participação democrática da sociedade, representada por todos os segmentos governamentais e não governamentais em todas as instâncias da nossa federação. Dessa forma são realizadas, precedendo a Conferência Nacional em 2014, as Conferências Municipais, Intermunicipais e Estaduais.
As discussões, proposições e encaminhamentos se darão em torno de sete Eixos Temáticos pré-definidos pela CONAE, sendo:
  • Eixo I: O PNE e o Sistema Nacional de Educação: Organização e Regulação;
  • Eixo II: Educação e Diversidade: Justiça Social, Inclusão e Direitos Humanos;
  • Eixo III: Educação, Trabalho e Desenvolvimento Sustentável: Cultura, Ciências, Tecnologia, Saúde, Meio Ambiente;
  • Eixo IV: Qualidade da Educação: Democratização do Acesso, Permanência, Avaliação, Condições de Participação e Aprendizagem;
  • Eixo V: Gestão Democrática, Participação Popular e Controle Social;
  • Eixo VI: Valorização dos Profissionais da Educação: Formação, Remuneração, Carreira e Condições de Trabalho;
  • Eixo VII: Financiamento da Educação, Gestão, Transparência e Controle Social dos Recursos.
Conforme destaca Moacir Gadotti:  "A gestão democrática não é só um princípio pedagógico. É também um preceito constitucional. O parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal de 1988 estabelece como cláusula pétrea que 'todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente', consagrando uma nova ordem jurídica e política no país com base em dois pilares: a democracia representativa (indireta) e a democracia participativa (direta), entendendo a participação social e popular como princípio inerente à democracia".

Vamos participar e fazer parte desse importante capítulo da história da Educação Brasileira!!!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

SOCIEDADE, TRADIÇÃO, CULTURA E EDUCAÇÃO

É comum hoje em dia quando falamos da escola, elencarmos problemas como: "escolas em áreas de vulnerabilidade social; professores desestimulados; alunos desinteressados; violência na escola; público diverso e a necessidade de saber lidar com essa diversidade no ambiente escolar; resultados insatisfatórios no rendimento escolar; índices consideráveis de repetência; abandono escolar, entre outros". Diante desse ‘muro de lamentações’ ficam no ar os questionamentos: como a escola responde a esse mundo de diversidade (?), como a escola corresponde a sociedade atual (?), quais as palavras que poderíamos associar a escola que expressasse seu significado na nossa sociedade (?).

Abrindo as postagens deste Blog no ano de 2013, trago as providenciais contribuições do Professor Rubem Barboza Filho (2012) para essas questões que tanto nos inquietam. O texto propõe uma reflexão histórica sobre o que nos constituiu enquanto sociedade e indivíduos. Ao passearmos rapidamente por nossa história, provocando reflexões sobre nossa cultura e tradições e a construção de nossos ideários, significados e referências, temos a linguagem como representação de um povo, como a própria razão desse povo, pois a língua está presente em tudo, na palavra, nos gestos, nas ações, etc. Barboza Filho ressalta que a verdade sai do campo dogmático e vai para o campo da linguagem e que toda língua tem seus espaços de razões, sendo que quem cria a língua, um ‘jogo de linguagem’ é a experiência concreta da sociedade, de seu povo. Mas o autor também nos lembra que a língua não é só o território da liberdade, ela é também o território da tradição e precisamos conhecer e dominar a sua tradição para podermos realizar os diferentes jogos de linguagem.

Observando os conjuntos específicos de formas de vida que estão presentes na nossa linguagem e considerando a sociologia, podemos destacar três linguagens: a linguagem dos interesses, da razão e dos afetos. (CONTINUAR LENDO)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

AVALIAÇÃO EDUCACIONAL

Com o segundo semestre, passando o mês de agosto, ficam as escolas públicas mineiras às portas das avaliações externas. Prevista para o mês de setembro, a aplicação das avaliações do Programa de Avaliação da Alfabetização (PROALFA), que integra o Sistema Mineiro de Avaliação (SIMAVE)¹, está perto e é comum que as escolas estejam numa rotina intensa e direcionada ao que ainda for possível intervir na aprendizagem dos alunos. O PROALFA avalia no Ensino Fundamental, de forma censitária, as turmas do 3º ano do Ensino Fundamental e de forma amostral, as turmas do 2º e 4º ano, nas escolas públicas (rede estadual e municipal).

Não demora muito e já estaremos no mês de novembro, período previsto para a aplicação das avaliações do Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (PROEB/SIMAVE), que avalia o desempenho de todos os alunos do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e dos alunos do 3º ano do Ensino Médio, das escolas públicas de Minas Gerais. Vale ainda lembrar que o SIMAVE também aplica as avaliações do Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE), sendo um programa restrito às escolas estaduais, iniciou avaliando as turmas do 1º ano do Ensino Médio, no início e final do ano letivo, e nesse ano de 2012 está sendo estendido aos Anos Finais do Ensino Fundamental, tendo as escolas iniciado o segundo semestre envolvidos com essa avaliação.

Como percebemos, se considerarmos também as avaliações propostas pelo Governo Federal, entre Prova Brasil, Provinha Brasil e até mesmo o próprio ENEM (que no caso não é obrigatório, mas chega a ser hoje, pela conotação que tem, quase que uma unanimidade e necessidade para os alunos do 3º ano do Ensino Médio), as escolas passam grande parte de seu tempo, envolvidas com avaliações externas. Uma situação que vale destacar é que esse envolvimento com avaliações vai além da edição das respectivas avaliações aqui citadas, uma vez que, no decorrer do ano, entre uma avaliação e outra, é comum que as escolas e equipes técnicas que acompanham estas, programem e apliquem as chamadas ‘avaliações diagnósticas’, que são utilizadas de certa forma, como ‘simulados’ das avaliações oficiais.

Com essa realidade, é imprescindível que as escolas e seus profissionais reflitam sobre o processo de avaliação educacional, refletindo inclusive sobre o próprio desenvolvimento do currículo. Compreender os objetivos das avaliações, o currículo e não perder o ‘fio da meada’ no processo educacional é fundamental para o desenvolvimento qualitativo e equitativo no percurso escolar dos nossos alunos. Buscando contribuir com essa reflexão, trago considerações sobre um artigo da Profª Magda Soares, intitulado: “Avaliação Educacional e Clientela Escolar”, que muito pode nos ajudar nesse entendimento e na práxis do cotidiano escolar (abaixo o link de acesso):

___________________________________________________
¹ SIMAVE: Sistema Mineiro de Avaliação, disponível em: Acesso em 17 ago 2012.

domingo, 22 de julho de 2012

4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil

Prezados(as),

Disponibilizamos a divulgação da "4ª OLIMPÍADA NACIONAL EM HISTÓRIA DO BRASIL", coordenada por Alessandra Pedro (UNICAMP, SP):

O Museu Exploratório de Ciências – Unicamp recebe a partir do dia 01/06/2012, as inscrições para a 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). Poderão participar estudantes regularmente matriculados no 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e demais séries do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas de todo o Brasil, incluindo alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Para orientar a equipe, composta por três estudantes, é obrigatória a participação de um professor de história.

O formulário de inscrição e o boleto para pagamento estarão disponíveis no site do Museu Exploratório de Ciências de 01 de junho até 10 de agosto. A taxa de inscrição é de 21 reais para as equipes de escolas públicas e 45 reais para as equipes das escolas particulares. O valor da inscrição corresponde à inscrição de todos os membros da equipe (incluindo o professor-orientador).

Em 2012, O Museu Exploratório de Ciências custeará, para participarem da final, as passagens de avião das 27 equipes mais bem colocadas em cada estado da Federação (escolas públicas ou particulares) e mais 10 equipes de escolas públicas com a maior pontuação, sendo uma por região do país, e cinco escolas públicas com mais alta pontuação em todo o Brasil, independente de sua região. Após a final da Olimpíada, os professores responsáveis por essas equipes são convidados a permanecer na Unicamp para realizar capacitação de uma semana, com custos de hospedagem cobertos também pelo Museu.

A ONHB premiará escolas, alunos e professores, com medalhas de ouro (60), prata (100) e bronze (140) e certificados de participação para todos os inscritos e também para as escolas.

A 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil é uma iniciativa do Museu Exploratório de Ciências – Unicamp. O evento é patrocinado pelo CNPq e tem o apoio da Rede Globo de Televisão e da Revista de História da Biblioteca Nacional. A última edição, realizada em 2011, inscreveu mais de 65 mil participantes e reuniu cerca de duas mil pessoas na final presencial, realizada na Unicamp, nos dias 15 e 16 de outubro.

A ONHB é organizada pela equipe do Museu Exploratório de Ciências e as provas são concebidas e elaboradas por historiadores, professores e pós graduandos de História da Unicamp. Como proposta, os participantes têm a oportunidade de trabalhar com temas fundamentais da história nacional e de conhecer de perto as práticas e metodologias utilizadas pelos historiadores.
Calendário da 4ª ONHB:

  • Inscrições e pagamento dos boletos: de 01/06/2012 a 10/08/2012;
  • Primeira fase: inicia no dia 20/08/2012 e finaliza no dia 25/08/2012;
  • Segunda fase: inicia no dia 27/08/2012 e finaliza no dia 01/09/2012;
  • Terceira fase: inicia no dia 03/09/2012 e finaliza no dia 08/09/2012;
  • Quarta fase: inicia no dia 10/09/2012 e finaliza no dia 15/09/2012;
  • Quinta fase: inicia no dia 17/09/2012 e finaliza no dia 22/09/2012;
  • Grande Final Presencial: Prova: 20/10/2012;
  • Cerimônia de Premiação: 21/10/2012;
  • Inscrições no site: www.mc.unicamp.br
Alessandra Pedro
Coordenadora Associada Olimpíada Nacional em História do Brasil
Museu Exploratório de Ciências
Caixa Postal 6025
UNIVERSIDADE ESTADUAL D E CAMPINAS (UNICAMP)
Cidade Universitária Zeferino Vaz
13083-970 - Campinas – SP
Brasil

domingo, 1 de julho de 2012

SEMINÁRIO NA UEMG LEOPOLDINA

Na segunda-feira, dia 25 de junho próximo, tive a oportunidade de participar do “II SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR DO CURSO DE PEDAGOGIA” da Universidade do Estado de Minas Gerais – Unidade Leopoldina (UEMG Leopoldina). O evento que teve a coordenação geral do Prof.Dr. David F. Bomfin, foi organizado pelos alunos do 3º período do curso, responsáveis também pelas apresentações de trabalho do Seminário. Também participaram do evento os professores do 3º e 1º período, bem como, os alunos do 1º período que ficaram incumbidos de relatar, ao final das apresentações dos colegas, os destaques dos temas apresentados.
Com o tema: “OBSERVAÇÃO SOBRE O COTIDIANO ESCOLAR”, os alunos desenvolveram uma pesquisa, a partir de observação direta em escolas pré-selecionadas. Cada observação partiu de uma das dimensões relacionadas as disciplinas do curso, envolvendo assim, todos os professores do curso, numa proposta interdisciplinar de trabalho.
A abertura ficou a cargo da Diretora da Instituição, ProfªDrª Beatriz Bento de Souza, que ressaltou os pressupostos básicos da proposta pedagógica do curso de pedagogia da UEMG Leopoldina, lembrando a importância de desenvolver conjuntamente a prática e a práxis pedagógica, aliando epistemologia a experiência pragmática.

A mim foi delegada a tarefa de proferir a palestra de abertura do evento, como o tema “COTIDIANO ESCOLAR” e, confirmando as dimensões ressaltadas pela Drª Beatriz, o tema foi abordado nas dimensões filosófica, sociológica e pedagógica, ‘provocando’ os presentes a uma reflexão sobre o cotidiano e cultura escolar em consonância com as teorias organizacionais. Pensar de forma sistêmica, uma instituição tão complexa quanto a escola, é estratégia que ajuda na compreensão da nossa própria complexidade enquanto sujeitos de nossa própria história, que produz cultura, ao mesmo tempo que é produzido pelas culturas institucionais e individuais de todos que conosco integram o grupo social. Na educação, enquanto processo de produção humana, lembramos a metáfora da ‘teia de aranha’: tecemos a teia, ao mesmo tempo que dependemos dela para sobrevivermos (LARA, 1998)¹, “não somos do grupo, somos o grupo” (g/n).
Meus cumprimentos a Equipe da UEMG Leopoldina, seus alunos, professores e gestores. Em especial, meus cumprimentos ao Prof. David Bomfin, pela feliz idéia, que com certeza, abriu com louvor as portas da pesquisa acadêmica aos alunos.

_______________________________________________________
¹ LARA, Tiago Adão. A escola que não tive... O professor que não fui: temas de filosofia da educação. 2. Ed. São Paulo: Cortez, 1998.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PALAVRAS, POESIA POR TODO LADO...

Nesse sábado, dia 12 de maio, aconteceu na "Casa de Leitura Lya Botelho" em Leopoldina o evento “VARAL DE POEMAS”. Inspirado no trabalho do escritor e artista plástico Luiz Lopes e envolvendo alunos do 3º ao 7º ano do ensino fundamental das escolas estaduais, municipais e particulares do município, o projeto, que teve como objetivo o incentivo a leitura e escrita poética, proporcionou uma manhã muito especial.

Não são todos os dias que os ares matinais nos trazem envolventes palavras, sonoras rimas, imaginações flutuantes, juras de amor, poesia, poema, poesia... Varais repletos de vida, de arte, de cultura, de formação literária e não seria ousado dizer: de formação humana.

O mais interessante de um projeto como este, onde foi fundamental a vontade dos professores nesse ‘fazer’, é o visível interesse dos alunos pela poesia. Eles demonstram nos trabalhos o gosto por escrever, por soltar a imaginação, pela disposição do falar de si de forma tão espontânea e poética! E como foi bonito ver a gostosa agitação dos alunos procurando as poesias nos varais para mostrar aos pais e depois o brilho nos olhos na hora do anúncio da poesia classificada.

Porque ainda escutamos no meio escolar que as crianças não querem ler, ou que não gostam de escrever? Não é o que vemos em eventos e projetos como este. É fundamental entendermos o espaço que cada aprendizagem ocupa, os chamados múltiplos letramentos na diversidade de portadores de texto. Encontramos por vezes, alguns desavisados pessimistas, justificando o ‘não fazer’ pelo advento da internet, quando que, o letramento digital¹ é mais um desses múltiplos letramentos que nos rodeiam e a existência dele não anula o gênero poético, pelo contrário ajuda em muito sua produção e divulgação.

Sendo a educação um processo de produção humana, e sendo nós, seres essencialmente sensíveis as emoções que refletem nossa alma, no processo educativo, não podemos dispensar a poesia, enquanto produção artístico/literária, enquanto produção humana, no imprescindível desenvolvimento estético. Citando FREIRE (1996)², lembramos um de seus destaques no que ele considera como “formação docente verdadeira”:

"(...) exercício da criticidade (da curiosidade ingênua à epistemológica), o reconhecimento do valor das emoções, da sensibilidade, da afetividade, da intuição, da boniteza e decência que estar no mundo, com o mundo e com os outros – ENSAIO ESTÉTICO E ÉTICO".

______________________________________________________________

¹XAVIER, Antonio Carlos dos Santos. Letramento Digital e Ensino. UFPE. Art. Disponível em: <http://www.ufpe.br/nehte/artigos/Letramento%20digital%20e%20ensino.pdf> . Acesso em: 21 nov. 2011.
²FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários a prática educativa. Paz e Terra. 1996.