quinta-feira, 19 de novembro de 2020

CAMPANHA ELEITORAL - O INÍCIO DA JORNADA

Em outubro de 2019 iniciei uma jornada muito significativa. Fui convidada pelo presidente do Partido dos Trabalhadores em Leopoldina, Alex Freitas, a integrar um projeto para as eleições municipais de 2020, em Leopoldina, MG, cidade em que resido. Com um grupo de pessoas que queriam muito pensar propostas para uma cidade melhor para o maior número de pessoas, formamos o Coletivo LeopoldinATIVA. Iniciamos com encontros presenciais, falando de nossos anseios e me posicionei como alguém que aceitou o desafio de ser candidata a Prefeita da Cidade por acreditar que estaria representando uma Coletividade, não seria a Claudia pela Claudia, por um desejo pessoal, mas seria a Claudia representando um grupo de pessoas, aberto a agregar todos mais que conosco quisessem caminhar. E assim a partir do nosso Coletivo nos organizamos, definimos os temas a serem trabalhados na construção do nosso Projeto para a Cidade.

Como princípios estabelecemos três pilares: PARTICIPAÇÃO, INCLUSÃO e EDUCAÇÃO. A PARTICIPAÇÃO representa a gestão democrática, nos princípios de representatividade da comunidade, através das diversas instâncias de gestão participativa, como os Conselhos e/ou Associações Comunitárias, demais associações civis representativa dos diferentes segmentos, Organizações não Governamentais, Clubes de Serviço, Sindicatos, Instituições de Ensino, entre outros. A participação pressupõe o princípio da transparência na gestão, em que a sociedade civil também atua como fiscalizadora da gestão dos recursos públicos. 

A INCLUSÃO representa todas as políticas com foco na garantia de direitos a todas as pessoas, sem distinção, é a garantia do princípio da Equidade e a adoção do conceito do Igualitarismo, considerando que todas as pessoas tem os mesmos direitos legalmente constituídos e para que estes sejam garantidos, há de se cuidar das diferenças e promover as reparações e compensações sociais, garantindo acesso de todas as pessoas às políticas públicas. Destaca-se aqui as pautas relacionadas a Negritude, Mulher, LGBTQIA+, Periféricos, Pessoas com Deficiência, Religiosidades, Juventude, Idosos, entre outros. 

A EDUCAÇÃO representa o fio condutor e troco que sustenta tudo mais, pois é pela Educação que desenvolvemos as pessoas e promove-se condições de entendimento, de participação ativa, de reconhecimento de direitos e deveres. Pensar numa cidade Educadora é pensar em uma cidade que promove as pessoas, priorizando o desenvolvimento de todas, pois só existe desenvolvimento quando as próprias pessoas se desenvolvem, quando estas têm oportunidade de ampliar seus conhecimentos e práticas, criando assim, possibilidades de intervenção na sociedade. A capacidade de executar projetos e programas em uma gestão está diretamente ligada a capacidade que as pessoas têm de entendimento destes, para a manutenção e crescimento dos mesmos.

Com o foco nas pessoas e em uma cidade que tenha sustentabilidade para as gerações futuras, pensamos em uma “Cidade do Bem Viver”, considerando a Filosofia do Bem Viver, como agenda bioética para o século 21. O Bem Viver expressa a afirmação de direitos e garantias sociais, econômicas e ambientais, em que todas as pessoas têm igualmente o direito a uma vida decente que lhes assegure saúde, alimentação, água limpa, oxigênio puro, moradia adequada, saneamento ambiental, educação, trabalho, emprego, descanso e ócio, cultura física, vestuário, aposentadoria, etc. De acordo com esse contexto, a economia deve se pautar por uma convivência solidária, sem miséria, sem discriminações, garantindo um mínimo de coisas necessárias para a sobrevivência digna de todos (GARRAFA, 2009).

Com a pandemia do Covid-19, nossos encontros passaram a ser virtuais. Criamos assim uma página no Facebook, para servir como sala, também como lugar de referência para o engajamento, divulgação dos encontros, compartilhamento dos formulários de pesquisa, que eram divulgados antes dos encontros para colhermos as ideias, opiniões sugestões nos diversos temas. Com esse movimento e mobilização, chegamos a envolver umas 400 pessoas em 15 encontros temáticos e mais alguns encontros com instituições e representações de classes. Foi uma experiência dinâmica, orgânica, que muito nos absorveu. É como se nos abastecêssemos de Leopoldina, com muitas informações sobre a cidade e muitas ideias... Cada uma das propostas foram pensadas com viabilidade, pois pensar um projeto de cidade é fundamentalmente pensar em uma projeto com possibilidades de ser executado. 

Na jornada eleitoral, da pré-campanha fomos chegando na campanha, marcada pela largada no dia da Convenção Partidária que consolidou nossa chapa: eu, Claudia Conte (a professora que queria ser Prefeita) e Aristides Braz (o homem do campo, que se propôs a ser parte integrante do nosso projeto), juntamente com 7 mulheres candidatas a vereadoras; uma candidata e um candidato representando a população LGBTQIA+ e 13 homens candidatos - entre estas e estes, 6 negras e 5 negros. 

E entramos na Campanha, seguindo a caminhada... Mas essa parte eu conto na próxima narrativa.


segunda-feira, 20 de abril de 2020

INDIGNAÇÃO CONVENIENTE DOS PODERES NO NOSSO PAÍS - VERDADES X OMISSÕES

Desde que o atual Presidente da República assumiu o governo, creio que nós já testemunhamos o suficiente para entender que tipo de pessoa ele é. Também já entendemos qual o tipo de política econômica, social, educacional, de infra-estrutura e desenvolvimento sua equipe parece querer implementar no país. O que ainda me causa interrogação é o que permeia a sua volta, os bastidores, os interesses que estão pairando ou se arrastando por debaixo dos tapetes dos demais poderes constituídos neste país.

Diante dos último acontecimentos no Brasil, é bom lembrarmos do que diz o Art. 78 da Constituição Federal, que estabelece: "O Presidente e o Vice-Presidente da República tomarão posse em sessão odo Congresso Nacional, prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil. (grifo nosso)

Sendo assim, quando alguém, que assume um Governo Federal, jurando cumprir e fazer cumprir a Carta Magna do país em que logrou o cargo de chefe do Executivo, mas se mostra opositor ao próprio dispositivo legal que tem que defender e garantir e ainda, faz publicamente, apologia ao que explicitamente é vedado na lei, contrário aos princípios constitucionais, por que os demais poderes constituídos, não assumem o que lhes compete e tomam as devidas atitudes? Ao contrário disso, representantes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal vão para as redes sociais e divulgam notas de indignação com as atitudes controversas do Sr Presidente. Mais do que uma anunciada indignação conveniente, precisamos de atitudes que garantam o bem comum, a recuperação de uma rotina nacional equilibrada, sem disputas vazias de ego e exploração do capital político, em detrimento da saúde, do bem estar social, da vida das pessoas.

O Art. 85 fala que é crime de responsabilidade o Presidente da República atentar contra a Constituição e destaca o atentado contra "o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação" (Inciso II) e "a segurança interna do País" (Inciso IV). E o que temos visto e sentido? Um ataque ostensivo contra os poderes legislativo e judiciário pelos "Adoradores do Mito" (apoiadores do presidente) e uma instabilidade dentro do país que nos faz pensar que estamos constantemente numa corda bamba. Contraditoriamente o Presidente, ao mesmo tempo em que tenta justificar a necessidade de foco nas questões econômicas, é um dos pivôs dessa instabilidade nacional com suas atitudes e falas, inclusive apoiando e fazendo parte das manifestações de seus apoiadores - como ter estabilidade econômica em um país que não para de balançar e em que os poderes não dialogam com o mínimo de responsabilidade republicana, com foco na coletividade?

E o Presidente agora nega sua irresponsabilidade e os outros Poderes se omitem... e a População, o Povo, como fica em meio a tudo isso?

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

QUAL O REAL VALOR DA EDUCAÇÃO?!

Quais seriam os parâmetros de uma sociedade para demonstrar o índice de valorização das diversas áreas e instituições? Há de se considerar os investimentos, os recursos destinados, a prioridade nas políticas de governo... Mas creio que um dos parâmetros que mais significativamente reflete o nível de valorização é a forma como os profissionais que atuam nessas áreas são considerados na sociedade e como a força de trabalho destes é valorada pelos gestores. Observando a forma como lidamos com os profissionais que se habilitam para essa ou aquela área, compreendemos o que tem valor pra nós, ou as áreas que são mais preponderantes, até mesmo as que se sobressaem pelas conjunturas sociais em que nos encontramos. 

Na área de saúde, por exemplo, pela própria expectativa da nossa vulnerabilidade, no limiar entre a vida e a morte, nós já alçamos, por livre expressão, os profissionais da medicina, a categoria de Doutores, independentes de já terem alcançado tal grau, pelo percurso acadêmico. Fato é também, que a profissão de médico, traz consigo algumas prerrogativas, quase que pelo senso comum, que justifica a necessidade de uma melhor remuneração, que nem prescinde de tantas justificativas. Outra área que também se beneficia de convenções sociais é a área jurídica. Os advogados tem o título de Doutor garantido em uma lei da época do Império (1827), que lhes faculta essa prerrogativa, também sem a necessidade da formação correspondente ao grau. Alguém que conclua seu bacharelado em Direito, que pelo exame da Ordem dos Advogados tem sua credencial para advogar, já pode ser chamado de Doutor - "por direito e tradição" - e ostentar o título em seu carimbo, placa do escritório... Também nas funções e cargos típicos  de quem tem essa formação como no Judiciário, Ministério Público, os privilégios, além da remuneração regular, garantem um status considerável na nossa sociedade.

E o que dizer dos que ocupam cargos políticos, principalmente os congressistas? Muitos destes nem formação específica tem, ou seja, não há uma exigência de formação acadêmica ou comprovação técnica para se ocupar cargos eletivos. Mas nesse caso, além de não ser necessário, possibilita uma das condições mais favoráveis em termos de remuneração, vantagens, privilégios, blindagens... O título de Deputado pressupõe pra muitos o tratamento diferenciado. 

E na área de Educação, como isso se dá? No inverso da lógica social, na contramão de outras áreas, os profissionais da educação vivem um desprivilégio. Há tempos que o status da profissão de professor despencou, caindo de um patamar, em que numa época remota pairava um orgulho nas famílias em dizer que seus filhos, pai, mãe.... eram "Professores", para situações em que a escolha dessa profissão vem muitas vezes, carregada de reprovação dos mais próximos ou da preocupação destes, pelas dificuldades que a pessoa que escolhe assumir a profissão vai ter que enfrentar. Nesse despencar do status quo da profissão de professor, estamos nós profissionais da educação alijados a uma situação de desprezo social, em que nossas vozes não encontram eco. Também no revés das outras profissões citadas, os professores, mesmo construindo um árduo percurso acadêmico, em anos de estudo para concluir um doutorado até mesmo o pós doutorado, dificilmente, serão chamados de doutores, fora do mundo acadêmico, dos bancos universitários.

Esta reflexão nos leva a um outro questionamento: Como vemos a Educação? Qual o lugar que ela ocupa na nossa sociedade? Como entendemos os processos educacionais? Qual o valor que a Educação tem na nossa sociedade? Entendemos o verdadeiro significado da Educação no nosso contexto social? Se considerarmos que a Educação é o processo que produz gente, responsável pela formação humana, deveríamos entender que todos os demais processos sociais dependem da Educação, que todos os demais profissionais são "formados" através dos bancos escolares e seus respectivos mestres / professores. Uma sociedade que entende e se apropria dessa ideia e contexto, sabe que todas as demais estruturas sociais são impactadas pela Educação. Nessa lógica a Educação seria sim, preponderante sobre a Saúde, a Segurança Pública, a Justiça e a Política. Uma sociedade que valoriza os processos educacionais, sabe que assim garante menos gasto com saúde, menos problemas de segurança, uma justiça realmente mais justa e uma política que promove o bem comum.

Não é uma situação de desprivilegiar as demais áreas ou não reconhecer as dificuldades que os demais profissionais enfrentam, pois é notório que em nossa sociedade, muitas posições que outrora lograram situações mais confortáveis, hoje vivem suas agruras pelo próprio contexto social que tem se desenhado diante de nós. Dilatando nosso olhar e escuta há de se reconhecer o valor e lugar de cada um na estrutura social, sabendo que todas as peças tem seu fundamental lugar na engrenagem que move nossa sociedade, a diferença, fica por conta das engrenagens que mais rodam e as que fazem as outras rodarem.

Mas a sociedade atual deixou de reconhecer o valor da Educação na sua plena dimensão. Professoras e Professores precisam estar rotineiramente lutando pelo reconhecimento, vivem situações extremas de desrespeito a profissão, clamam por melhores salários e condições profissionais. Quando um governos escolhe pagar em último lugar os profissionais da Educação, entre os demais, quando os profissionais da Segurança Pública recebem seus salários e os da Educação não, pois só receberão parceladamente e em valores de parcelas ainda menores que os da Saúde, é difícil acreditar que estes profissionais tem valor nesse sistema, é difícil acreditar em qualquer que sejam as falas, justificativas (injustificáveis). E quando a sociedade não se manifesta, quando esse acontecimento parece não impactar nas demais pessoas, é difícil se sentir valorizado e acreditar que a Educação é prioridade, ou que as pessoas entendem a sua real importância...

Desejo tempos renovados, em que a Educação recupere seu patamar de valor, só assim poderemos acreditar em TEMPOS MELHORES...


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Ref.: Imagens Google

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

NÃO SOMOS PAULOFREIREANOS...

Os preocupados em achincalhar o nome de Paulo Freire, por imputar nele a culpa por fracassos na Educação, podem se poupar de tais atos, pois se tem uma coisa que não demos conta, que não soubemos valorizar, foram os ensinamentos e a ação pedagógica pautada num suposto Método Paulo Freire. 

Se realmente tivéssemos incorporado o que tentou nos ensinar Paulo Freire, não estaríamos amargando o que agora vivenciamos no nosso país. Se tivéssemos entendido o que o renomado Educador, reconhecido internacionalmente, nos legou, hoje não teríamos tantas pessoas alienadas, com dificuldade de interpretar nosso percurso histórico e entender nossos constructos sociais. Desde a década de 1970, quando Freire nos brindou com duas fortes reflexões com o livro "Pedagogia do Oprimido" e "Educação como Prática da Liberdade", e esse movimento nos pareceu tão claro, tão óbvio diante da realidade que vivíamos, em momentos de repressão, ou seja, a Educação como o caminho e a possibilidade de nos libertarmos de modelos opressores e alienantes (Educação bancária, mecanicista). A fala de Paulo Freire iluminou nossos pensamentos, nos empolgou, mas podemos dizer que não emplacou, na dimensão que precisaríamos, pra garantir o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária, que garantisse justiça social, inclusão e acesso a todas as pessoas, sem distinção.

Quando analisamos a trajetória da apropriação das teorias e práticas freireanas, nos cursos de formação pedagógica, percebemos que uma das referências mais presente, nos últimos tempos, ou seja, do final da década de 1990, início de 2000, é do livro "Pedagogia da Autonomia" (1996), presença quase que obrigatória nos programas, ementas, referências bibliográficas. Mas se mesmo assim, a crítica e rechaço a Paulo Freire passou a ser a onda da vez, percebe-se um desconhecimento da essência, de tudo que ele deixou como registro de suas ideias e práticas. Se conseguíssemos trazer de verdade para o nosso dia a dia nas escolas o que está descrito neste livro em especial, como um guia para nossa pratica como educadores, não estaríamos ainda tão confusos e perdidos nos nossos fazeres, nos questionando ainda sobre que tipo de educação queremos, ou como vamos inovar. 

Paulo Freire organizou as ideias no livro Pedagogia da Autonomia em três capítulos intitulados: (1) Não há docência sem discência; em que fala dos saberes demandados pela prática educativa em si mesma, ou seja, o que sabemos ser fundamental, básico na lida de um professor; (2) Ensinar não é transferir conhecimento; aqui Freire fala-nos da coerência entre teoria e prática, em que o "discurso sobre a Teoria deve ser o exemplo concreto, prático, da teoria, como sua encarnação", ao falarmos de construção de conhecimento, já precisamos estar envolvidos diretamente nessa construção; (3) Ensinar é uma especificidade humana. O texto, reafirma os saberes da docência, a necessidade da nossa organização enquanto profissionais da Educação, da busca pela competência técnica, de forma responsável, com a consciência que a tarefa do educador não pode ser na irresponsabilidade de fazer o "mais ou menos", ou agir no improviso, mas assumir o que ele destaca no capítulo 1, afirmando que "Ensinar exige rigorosidade metódica".

A ética do educador pressupõe essa busca dos saberes, a disposição do aprender, para se desenvolver tanto a competência técnica como a competência humana, acreditar nas possibilidades e agir. E para isso é fundamental a consciência de sociedade, de como as nossas relações se desenvolvem numa sociedade em que o oprimido ainda cede ao opressor. Enquanto convivemos passivamente com a extrema desigualdade social, não podemos dizer que somos "paulofreireanos", ou que assimilamos seus ensinamentos e os incorporamos em nossas práticas. 

Felizes os que assumem e promovem a "Pedagogia da Autonomia" e não cedem aos processos de massificação. Estes já despertaram do sonho alienante de imputar culpa em que tem a solução.

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REFERÊNCIA: 
FREIRE, Paulo. Pedagogia do OprimidoSão Paulo: Paz e Terra, 2019 (69ª edição).
FREIRE, Paulo. Educação como Prática da LiberdadeSão Paulo: Paz e Terra, 1967.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2011.
Imagens do Google 

segunda-feira, 1 de abril de 2019

ENTRE A SIMPATIA, A IDOLATRIA E A HERANÇA MALDITA

E o governo divulga um vídeo, dizendo que em 31 de março de 1964, "o exercito nos salvou, que só cumpriu o seu papel, que tirou o Brasil da escuridão...", e depois informa não saber quem divulgou ou de quem é a autoria do próprio vídeo que foi divulgado pelo Palácio do Planalto. 

Tenho ficado na dúvida ultimamente, se estamos sendo governados por uma equipe de incompetentes, aparvalhados e meio patetas, que se atropelam uns aos outros o tempo todo, ou por uma equipe ardilosa, que nos faz parecer que são atrapalhados e enquanto isso, vão pelas beiradas impondo suas vontades, ideias, como num jogo de ganhar vantagem, impondo uma política de acirramento da desigualdade, privilegiando um grupo específico que deve ter "pagado" para garantir o acúmulo cada vez maior de sua renda, colocando o povo, no desprivilegio do empobrecimento moral, intelectual e financeiro.

O que será de nós em meio a tudo isso? Vejo ainda pessoas que insistem em culpar a esquerda, o PT, como se nada mais fosse problema, como se um milagre, promovido por uma pessoa que elevaram a condição de mito, mas que "paga mico" a todo instante, fosse a nossa redenção. Usando de um discurso  que apela para a defesa da boa moral e os bons costumes, passam por cima de todo um percurso histórico de construção de uma democracia - democracia esta, que pelos últimos acontecimentos, parece estar longe de se consolidar, além dos nossos textos legais.

As pessoas estão se permitindo serem confundidas. Uma coisa é ser simpático aos militares, respeitarem as forças armadas, acharem que a atuação destes garante nossa segurança e a outra coisa é a idolatria insana, que tripudia em cima da dor de tantos que sofreram na própria carne os abusos de um regime que dominou o nosso país por anos, tolhendo nossa liberdade, estimulando um modelo  econômico e social perverso, que acirrou a concentração de renda e nos legou uma das piores e mais vergonhosas páginas de nossa história. Aviltar, violar, violentar, torturar, matar, desrespeitar pessoas e famílias, pela força bruta, pela imposição da auto posição que criaram pra si, por terem surrupiado o poder numa manobra golpista, não pode ser exaltado como o bom legado das nossas Forças Armadas pra nós. Deveriam era ter vergonha de terem feito parte dessa trágica página da nossa história, a contribuição pra ser realmente considerada como valorosa, teria que ter sido outra, bem diferente...

Somos todos "filhos do Golpe de 64", herdeiros dele e por assim ser, é fundamental que conheçamos muito bem nossa herança.

domingo, 31 de março de 2019

64 FOI GOLPE SIM

Não tenho por hábito publicar qualquer coisa que seja em que o Sr presidente apareça, promovendo palanque para o mesmo, mas a notícia que ouvi agora, na fala do porta-voz da Presidência da República, anunciando que o presidente da república deseja que o golpe militar  de 1964 seja comemorado nos quartéis do país e que o mesmo não teria sido golpe e sim uma ação necessária para "salvar" o país de coisas muito pior, é por demais absurda, fora do contexto e afronta o próprio povo brasileiro, afronta todos os que lutaram, sofreram, que foram torturados, exilados, que choraram o desaparecimento dos seus... 

É um desrespeito à nossa Nação, à República Brasileira que no transcurso da nossa história vem construindo e reconstruindo a Democracia neste país. Dizer que o que aconteceu em 1964 não foi golpe e insinuar que se não tivesse ocorrido hoje o Brasil poderia ter tido um governo que não seria bom para o país, é uma fala tendenciosa, unilateral, que não condiz com a fala de um representante de uma Nação, que mais uma vez, fala por si, de forma pessoal, como se governar o Brasil fosse mandar no quintal da sua casa. Não assume o presidente o verdadeiro papel de um Chefe de Estado que tem que falar por todo o seu povo, respeitando as especificidades e o nosso percurso histórico. Lamentável. Está tudo tão inusitado que parece que estamos vivendo um delírio, um transe nacional... 

"É incompatível com o Estado Democrático de Direito festejar um golpe de Estado e um regime que adotou políticas de violações sistemáticas aos direitos humanos e cometeu crimes internacionais", diz  nota assinado pelos procuradores Deborah Duprat, Domingos Sávio da Silveira, Marlon Weichert e Eugênia Gonzaga, o documento afirma que a postura de Bolsonaro para que se comemore o golpe de 1964 nos quartéis é de "enorme gravidade constitucional" e "incompatível com o Estado Democrático de Direito" e que ele pode ser judicialmente reprimido; para o órgão, a atitude do presidente "soa como apologia à prática de atrocidades massivas e, portanto, merece repúdio social e político, sem prejuízo das repercussões jurídicas"
(...) Utilizar a estrutura pública para defender e celebrar crimes "atenta contra os mais básicos princípios da administração pública, o que pode caracterizar ato de improbidade administrativa, nos termos do artigo 11 da Lei n° 8.429, de 1992", destaca.

Se não houver da parcela da sociedade, que tem esclarecimento e discernimento em relação a gravidade de tal ato, uma ação efetiva, situações ainda mais graves e alarmantes, poderão acontecer. Nossa democracia está ferida, abalada; a onda de ódio propagada pela equipe que responde pelo país pode gerar precedentes descontrolados e podemos ser surpreendidos cada vez mais, com o aviltamento de nossos direitos mais fundamentais. É momento de rever nossas convicções e a forma como agimos em nossas ideologias. Momentos de exceção, especiais, requerem de nós ações também especiais, muito além do que já fizemos até aqui, precisamos abrir outros caminhos na forma de FAZER POLÍTICA, de viver e sobreviver nesse país...

terça-feira, 26 de junho de 2018

PREZADOS PAIS, MÃES, RESPONSÁVEIS, ALUNOS E ALUNAS, COMUNIDADE

A Educação Pública é um direito fundamental, garantido na Constituição Federal, nossa Lei Maior. Ocorre que em Minas Gerais, esse direito tem sido negligenciado pelo Governo do Estado, que tem atrasado verbas de manutenção das escolas, verba do transporte escolar, entre outras restrições, que acabam por impactar diretamente no ensino e consequentemente em nossos alunos e alunas. Não bastasse essa situação, nós os Trabalhadores da Educação da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais, temos sido desprivilegiados e desrespeitados mês a mês, com uma política remuneratória de constantes atrasos e parcelamentos de salários, sendo atualmente a categoria de trabalhadores do Estado renegados a instabilidade de não saber “QUANDO” vamos receber; “QUANTO” vamos receber e; “COMO” vamos receber.

Mês a mês temos que nos desdobrar para tentar cumprir com nossos compromissos no provimento de nossos lares, das nossas necessidades básicas, como também, de nossas famílias, renegociando nossas dívidas e nos privando de bens e serviços que são direitos de todos os indivíduos para o bem viver. Vivemos na incerteza, sobressaltados com a expectativa de ter ou não nosso sustento e nesse último mês a situação se tornou ainda mais crítica, pois além de recebemos em escala de pagamento, em que os Servidores da Educação são divididos pelos valores de seus salários, ocorreram atrasos nas datas previstas e o recebimento foi ainda mais fracionado, tendo servidores ainda no aguardo de seus proventos. E para piorar ainda mais, os Servidores Aposentados tiveram os salários mais atrasados, tendo recebido uma simples parcela de R$ 500,00 (quinhentos reais), ficando até esta semana no aguardo da complementação de seus vencimentos. Entre esses profissionais – que escreveram sua história na Educação Mineira e muitos destes foram nossos professores –, estão pessoas idosas, com necessidades de saúde, de sobrevida e que não tem mais idade de viverem surpresas tão desagradáveis.

Cabe-nos também esclarecer que não são todos os Servidores Públicos de Minas Gerais que estão nessa situação. O Governo de Minas fez suas “escolhas” e definiu quais as categorias de Servidores deveriam receber seus salários regularmente e até mesmo com eventuais aumentos e nessas “escolhas”, ficamos nós, os Profissionais responsáveis pela formação escolar de nossas crianças, jovens e adultos, fora da prioridade do Governo. Critério este que fere o princípio básico da justiça salarial e isonomia entre os servidores públicos, nos dividindo em categorias não oficiais, que nos levam a vários questionamentos e a um sentimento forte de desvalorização do nosso trabalho e até mesmo, da Educação no Estado de Minas Gerais.

Nosso único recurso foi usar do nosso poder de luta através de movimento grevista, mas não gostamos de estar em greve, não ficamos felizes por não ir as escolas em que atuamos e muito nos preocupa sim e nos incomoda o fato dos alunos ficarem sem aula. Mas precisamos ser ouvidos, enxergados e respeitados como a Categoria de Trabalhadores que deveria ser a mais valorizada, pois a formação de todos os demais profissionais, dependem dos PROFESSORES. Precisamos ter condições de trabalhar sem a preocupação se vamos ou não receber, sem saber QUANDO, QUANTO e, COMO.

Você, trabalharia sem remuneração? Você, conseguiria fazer um bom trabalho sem saber como vai pagar suas contas e se vai ter condições de sustentar sua família? Você, trabalharia com a conta da farmácia atrasada, precisando de remédios pra você ou para pessoas de sua família? Você, conseguiria fazer um bom trabalho sabendo que seu empregador não valoriza seu trabalho? Se a resposta para essas questões for o NÃO, você já entendeu porque os Profissionais da Educação do Estado de Minas Gerais precisam fazer greve.

Por uma EDUCAÇÃO DE QUALIDADE; pela DIGNIDADE dos TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO; pelo RESPEITO aos APOSENTADOS; pelo nosso SUSTENTO e nossa SAÚDE FÍSICA e EMOCIONAL; pelas nossas CRIANÇAS e JOVENS e por uma SOCIEDADE JUSTA para TODOS; CONTAMOS COM SEU APOIO!!

Agradecemos,
Trabalhadores da Educação do Estado de Mina Gerais
Claudia Conte dos Anjos Lacerda
Professora de Educação Básica na Rede Estadual em Leopoldina

#SomosTodosProfessores #DireitoDeReceberNoQuintoDiaÚtil #DireitoTrabalhistaParaTodos #AposentadoMereceRespeito #NenhumDireitoAMenos #NãoAbandoneNossosAposentados #SomosTodosEducadores #QuemLutaEduca #GovernadorPagueNossoSalário

domingo, 17 de junho de 2018

QUERIDOS(AS) AMIGOS(AS) PROFESSORES(AS), COLEGAS DE TRABALHO


Creio que estamos vivendo um momento muito especial, que aponta para uma atitude coerente nossa, independente do que tenhamos que arcar posteriormente. Inclusive, a nossa coesão e união agora é o que vai garantir a força para o Sindicato negociar posteriormente as questões de reposição e/ou reparação quanto ao calendário escolar, da maneira que melhor nos atenda. Uma coisa é negociar a bem de uma determinada parcela de servidores, a outra coisa é negociar para uma Classe de Trabalhadores. Nos valorizar enquanto uma Categoria é fundamental para “sermos valorizados”.

Precisamos usar de nossa capacidade de crítica, fazendo uma leitura ampla da atual conjuntura em que nos encontramos, lembrando que somos nós, principalmente, os profissionais que trabalham com o pensamento, com o desenvolvimento deste pensamento crítico e isso nos coloca na condição de usarmos prioritariamente essa visão global do que ocorre hoje com nossa Classe de Trabalhadores e mais especificamente em Minas Gerais, Estado ao qual estamos vinculados como Trabalhadores da Educação.

Alguns de nós receberam uma PARCELA de seu pagamento na tarde da última sexta-feira, que nos leva a considerar quatro pontos relevantes:
  •        Deveríamos, por lei, receber no quinto dia útil – o que não acontece já há algum tempo;
  •        Não recebemos no dia em que o Estado divulgou as datas da chamada “Escala de Pagamento” (que passou a ser rotina em nosso Estado), ficando todos apreensivos mediante um comunicado de que não havia uma previsão para recebermos, pois o Governo pagaria na medida em que, segundo eles, entrasse recursos da arrecadação estadual;
  •        O Governo pagou outros servidores estaduais por um critério de prioridade estabelecido pelo próprio Governo, que segundo o mesmo precisa “fazer escolhas” e nessas escolhas priorizou categorias, como a dos servidores da Segurança Pública, que segundo o Governo tem desempenhado “um serviço de qualidade, apresentando excelentes números para o Estado” – tal afirmação contribui para desagregar os servidores estaduais, já que coloca um categoria de trabalho em situação de superioridade e excelência em detrimento de outras que passam a se sentir completamente desvalorizados, mesmo que tenham que tentar fazer o melhor de si em condições bem adversas, sem as devidas estruturas, em ambientes de trabalho sucateados, com verbas de manutenção atrasadas, entre outras restrições no Quadro de Pessoal, como é o caso da categoria dos Profissionais da Educação em MG;
  •        Além de atrasado, o Estado depositou somente parte do pagamento, deixando muitos servidores sem receber e renegou aos aposentados (chamados de inativos) uma condição ainda pior pois os mesmos só receberão na terça-feira, uma parcela ainda inferior a que parte de nós receberam na tarde da sexta-feira.

Refletindo sobre todas essas adversidades que temos enfrentado constantemente e considerando que já somos preteridos pelo Governo Estadual, não poderíamos também entre nós desprezar toda essa situação e também nos categorizarmos, limitando nosso olhar, centralizando os nossos interesses no pouco que recebemos, como se isso fosse a migalha do que merecemos e esquecendo dos demais servidores (ativos e inativos) que integram nossa Categoria. Não somos uma Categoria Profissional feita de uma parcela de servidores, somos uma Categoria que respeita o nosso percurso histórico, tudo que nos constituiu até aqui, feito pelos servidores que já se afastaram de suas ações diretas mas que escreveram a história das nossas escolas e da Educação em Minas Gerais (aqueles que o Governo chama de inativos). Somos sim uma GRANDE Categoria  de Profissionais, que carece de melhor se organizar em Classe Trabalhadora, valorizando o papel de cada um na construção de nossas ações junto a sociedade e nas escolas nas quais atuamos.

Fica aqui alguns questionamentos finais: A quem é mais interessante a nossa divisão entre os que recebem mais e menos, entre as parcelas pagas primeiro e depois? A quem é mais interessante a nossa fragmentação e divergências de ideias, de posturas, de ações? A quem é mais interessante o nosso olhar e ação individual em detrimento do olhar e ação coletiva? E uma última pergunta: Seremos nós a única categoria de trabalhadores do Governos Mineiro que temos que entender e sofrer com os problemas políticos da atual gestão, será sempre sobre nós as maiores consequências da apregoada herança do Estado falido e das supostas perseguições políticas???...

Termino minha reflexão com uma suposição que outrora pairou em meus pensamentos: supunha eu que um Governo que é eleito com a bandeira de um partido de base trabalhista que ostenta ideologias socialistas, teria como prioridade a grande massa de suas categorias trabalhadoras e valorizaria a Educação como sua principal política. Meu choque de realidade foi quando o atual Governo mineiro ao assumir, logo de início, ter beneficiado os Secretários de Estado com 45% de aumento, porque seus salários estavam congelados... Supus eu que o contrato social e político dos integrantes deste Governo poderia ter sido outro...

Tomara possamos entender que podemos tão somente contarmos uns com os outros...

Profª Claudia Conte
Leopoldina, MG

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

MOVIMENTAÇÕES PALACIANAS X LIBERDADE

Chega a ser inusitado o que estamos a assistir no Brasil. Neste dia 14 de setembro de 2017 vi sobre as denúncias apresentadas pelo então Procurador da República que envolvem diretamente aquele que responde pela Presidência do País. Depois ouvi um texto lido que segundo o apresentador do telejornal seria a nota do então presidente. Uma fala por sinal, bem ofensiva, nada elegante ou "republicana", palavra esta que tomou conta ultimamente de declarações e falas diversas... 

O que seria então ter uma fala ou uma ação republicana? Já nem reconheço mais esta nossa esmerada República a brasileira. Escutei falas de comentaristas hoje se referindo as "movimentações palacianas", me soou quase como um déjà-vu de uma derrotada monarquia. Aliás é sempre bom lembrar que a nossa República foi fruto de um golpe ao Imperador e depois aquele que deu o golpe, foi golpeado e destituído da presidência da "República", por outro que talvez tenha se achado o mais republicano de todos. Golpes e golpes...

Estranho contar a história do Brasil assim, de golpes em golpes e ter que conviver com uma república mal resolvida, com líderes golpistas que agem como se fossem imperadores, numa democracia que parece não ter se consolidado ainda. Conchavos espúrios pelo "poder" e de uns tempos pra cá, cada vez mais e entre um número maior de pessoas/políticos/governistas, pelo poder financeiro, fazendo de milhões e bilhões quantias básicas nas transações de interesses particulares, camufladas em serviços e/ou empreitadas públicas, como se o bem público fizesse parte de um baú, em que todos os que se intitulam os poderosos, podem abrir e consumir seus tesouros.
Mas ainda fico com a crença de que vamos girar essa roda e vamos renovar essas práticas e ideias, mesmo que não seja na sua totalidade, mas que seja com mais clareza, verdade, mais equidade, mais equilíbrio e justiça social, com a garantia digna dos direitos de todas as pessoas de bem viver, de conviver em sociedade, de se responsabilizar pelo bem comum, com ética e "liberdade".






segunda-feira, 1 de maio de 2017

DIA DO TRABALHADOR - COMEMORAÇÃO, REFLEXÃO OU AÇÃO?

E neste dia 1º de maio de 2017 comemoramos mais um "Dia Mundial do Trabalhador". Fica difícil não relacionar este dia com o momento que estamos vivendo atualmente em nosso país. Nas vésperas dessa dia  tramitou na Câmara dos Deputados e conquistou os votos da maioria do Senhores Deputados Federais, o projeto de lei que altera as relações de trabalho, até então consolidadas no país na forma de "Leis do Trabalho", pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. O título de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), não sustentou em si o próprio nome, pois o que seria "consolidado", veio no decorrer dos anos, desde a década de 1940, sendo remendado, virando uma grande colcha de retalhos, como o que acontece com muitas das grandes leis que se propõe garantir os chamados DIREITOS neste país.

Mas quando passamos os olhos no texto da CLT, percebemos muitas dessas alterações foram questões de ordem prática, que diziam respeito a forma de registros, ou seja, questões burocráticas, operacionais e outras para a própria adequação ao texto da Constituição de 1988. Mas o que estamos vivenciando com a proposta de reforma no Projeto de Lei 6.787/2016 é a maior reforma estrutural das Lei de Trabalho brasileira. No mínimo 100 itens estão na proposta e dizem respeito, em sua grande maioria, as questões mais específicas de relações de trabalho, entre empregado e empregador. Os pontos envolvem flexibilização e aumento de jornada de trabalho; demissões coletivas; não obrigatoriedade de pagamento de hora-extra; divisão dos dias de férias; pagamento dos honorários pelo empregado, no caso de dos processos trabalhistas; a contribuição sindical facultativa e; até a arbitragem na solução de conflitos trabalhistas, entre muitos outros pontos polêmicos. O Projeto de Lei passou bem pela Câmara e agora segue para o Senado Federal em meio a dúvidas e apreensão da maior parte da população, ao mesmo tempo em que é defendida pelo atual governo como solução para melhorar os índices de desemprego no país, que também na última semana foi divulgado como o pior dos últimos cinco anos, com um aumento nesse primeiro trimestre de 2017 de 13,7%, segundo dados do IBGE, o que nos leva a uma taxa de desocupação de 14,2 milhões de pessoas.

A propaganda do governo insinua e tenta sugerir que a reforma traria modernidade, tornaria as relações mais flexíveis, quebrando a rigidez do que eles chamam de uma lei antiquada, ultrapassada para os tempos atuais, no atual mercado de trabalho. Mas essa argumentação governamental tem soado estranha aos nossos ouvidos, tem até doído em muitos desses pontos, já que por mais que busquemos essa chamada "modernidade", não encontramos as vantagens para o trabalhador. O projeto nos parece mais um cobertor a cobrir e proteger o empregador, as grandes corporações, empresas e até ao próprio governo enquanto empregador ao mesmo tempo que parece deixar ao léu, entregue a própria sorte, e praticamente "nu", o trabalhador. Dói aos nossos ouvidos, olhos, na pele e até no estômago, como um grande soco, a diluir os chamados "Direitos Trabalhistas"...

E não bastasse o "pacote" de "presentes" do ano de 2017, no embalo vem a proposta de Reforma da Previdência, que na desculpa de resolver um déficit, ou um suposto rombo (que não se configura pela própria legislação que garante a chamada Seguridade Social), quer colocar nas costas do trabalhador uma conta que não é sua, imputando neste uma responsabilidade pela irresponsabilidade, falta de eficiência, eficácia e competência dos poderes constituídos, que já há algum tempo arrastam o país a um caos econômico e social.

Quando buscamos na origem da palavra TRABALHO, encontramos uma definição não muito nobre para esta, que vem, de certa forma, carregada de uma semântica opressora. Segundo Triviños (1984), o Dicionário Aurélio designaria umas 20 acepções básicas e expressões para a palavra trabalho, dado a sua significação e resignificação desde sua origem e nos períodos representativos no decorrer dos anos. A palavra originaria do termo latino "tripalium", que denominava um instrumento de tortura composto por três paus (século VI). Podemos dizer então, que originalmente, "trabalhar" significava ser torturado no "tripalium" e os torturados, ou seja, os que "trabalhavam" eram os escravos, os pobres, os destituídos de posse que não podiam pagar impostos. Este sentido, de um fazer pesado, dolorido, sacrificante, que subjuga o "trabalhador" se arrastou pela antiguidade e por toda a Idade Média e só no século XIV tem seu sentido atribuído de forma mais genérica como o é assim entendido até os tempos atuais: "aplicação das forças e faculdades (talentos, habilidades) humanas para se alcançar um fim" (TRIVIÑOS, 1984). Mas o leque de significados da palavra TRABALHAR se abre a partir da Revolução Industrial com todos os processos culturais e sociais advindos desta época.

Fica pra nós a questão: e agora, na atual conjuntura, o que significa TRABALHAR?? Poderíamos dizer que o peso da tortura da antiguidade ainda está sobre nós? Ou já resignificamos totalmente essa expressão e TRABALHAR é o sentido da vida, pois nos faz produtivos, nos faz produtores do nosso mundo, da nossa vida, da nossa cultura e sociedade? Mas quando, pela força do nosso trabalho, não podemos usufruir de nossa própria produção, não estaríamos de certa forma reproduzindo ainda uma relação de opressão, de tortura?? 

Há que se refletir e muito. Mas não para ficarmos na simples reflexão ou inerte discussão. Há de se refletir para a ação se fazer e assim "consolidarmos" o sentido de trabalho como o que "dignifica o homem, como maneira do seu humano se relacionar com a natureza", na certeza de que "matar a possibilidade de trabalhar é matar a possibilidade de viver" (Shoshana Zuboff).
Em tempo de perdas de direito, de instabilidade, de desemprego... O que dizer? O que comemorar no Dia do Trabalhador no Brasil? Comemoramos os milhões de trabalhadores brasileiros que aderiram a paralisação do dia 28 de abril "consolidando" o movimento como a maior greve geral da história do Brasil.


Referência:
TRIVIÑOS, Augusto Nivaldo Silva. Revista Educação e Realidade. Porto Alegre. FACED-UFRGS,v.9, nº1, 1984.
Imagens: Google Imagens

sábado, 29 de abril de 2017

ENTRE A COMODIDADE, A ALIENAÇÃO E A URGÊNCIA DO "FAZER"


Um século depois e ainda não entendemos isso. Não entendemos as relações entre capital e trabalho, não entendemos que a produção está na mão do trabalhador, que sem a produção os que se acham donos do capital não terão o capital. Consequentemente, se o trabalhador é o verdadeiro dono da produção também é dono do capital, com direito de usufruir deste pela sua própria força de trabalho e produção. Não entendemos que trabalhar e não poder usufruir da sua própria produção é um sistema perverso, de uma sociedade que oprime, que segrega, que exclui que desqualifica as pessoas em detrimento de uma minoria que muito pode ter e acumular, as custas da grande massa que cada vez menos tem.

A grande massa do povo brasileiro escolheu se calar e fechar os olhos (o que é um direito de cada um - sua própria escolha); escolheu entregar totalmente na mão dos senhores parlamentares as decisões quanto aos nossos destinos civis (parlamentares estes, na sua grande maioria, que comodamente esqueceram o lugar que deveriam ocupar e o papel que deveriam cumprir, em nome de um povo e de uma Nação e já há um bom tempo, exercem seus mandatos exclusivamente para atender interesses pessoais); escolheu aceitar uma Reforma de um Sistema de Previdência Social (que não precisava de reforma e sim de que os governantes promovessem uma gestão mais eficaz e eficiente dos recursos públicos e parassem de usurpar a Previdência, assim como fazem desde a década de 1990); escolheu se fragmentar, se diluir em desavenças partidárias, institucionais, em que o bem comum - que deveria ser o objetivo de todos - se perdeu, obscurecido pelas relativas verdades individuais, pelos egos exacerbados, pela animosidade das expectativas imprecisas, descarregadas entre as pessoas, transfigurando o que é relação social e institucional em relação pessoal.

Talvez seja essa a realidade a ser vivida no momento atual: abrir mão de direitos trabalhistas, consolidados ao longo dos anos; abrir mão de direitos outros, conquistados nos últimos anos as custas de muita mobilização de parte da população e de segmentos representativos da nossa sociedade; abrir mão de um satisfatório Sistema Previdenciário e trabalhar por mais tempo, até a idade mais avançada e ao final ainda aposentar com um salário menor, que talvez não garanta nossa condição e qualidade de vida na velhice, assumindo assim o pagamento de uma conta que não é nossa, mas que voluntariamente vamos pagar; abrir mão da nossa capacidade de decisão, de exercício participativo e democrático, de fiscalizar os poderes, de cobrar a reta ação dos nossos representantes nos poderes, de organização social.


Depois de abrirmos a mão e "soltarmos" tudo isso, se pelo menos nós conseguirmos "formar" uma geração mais consciente, ativa, solidária e fraterna, que assuma de forma sustentável sua própria história, sendo protagonista dela, TUDO BEM!!!!! Podemos ficar tranquilos...

quinta-feira, 9 de março de 2017

HOJE EU RECEBI FLORES

Muito grato é receber homenagens, cartões, lindas mensagens, externando a maravilha de "SER MULHER". Mas neste dia 08 de março de 2017 (Dia Internacional da Mulher), mais do que qualquer outro dia, é dia de CONSCIENTIZAÇÃO,  dia de REFLEXÃO, dia de fraterno e solidário COMPROMISSO com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, porque hoje é "DIA DE RECEBER FLORES..."

No Brasil, a cada 90 min. uma mulher é assassinada...


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A DERIVA NUM TURBULENTO MAR

Nesta quinta-feira uma pessoa querida me incentivou a voltar a escrever no meu Blog. E isso foi bom porque me fez refletir o quanto eu gosto de escrever e me levou a questionar sobre o porque de não fazer uso, mais costumeiramente, desta possibilidade e até mesmo, por que não dizer, desta faculdade/capacidade de expressão. Lembrei-me inclusive das vezes que as ideias ficam a borbulhar na minha mente e que na falta de um canal de expressão, me levam a falar sozinha, a ter as paredes, o ar, o espelho, como meus interlocutores, dada a necessidade de colocar pra fora o que trafega pela minha mente, como eco do meu próprio pulsar... Parece coisa de maluco, mas quem não tem suas maluquices que atire a primeira pedra.

Bom, restabelecendo mais uma vez o compromisso comigo mesma, retomo minha escrita. E qual seria o tema deste texto, além da revelação da necessidade de falar, de registrar meus pensamentos, reflexões e ideias? O assunto do dia 19/01/2017 é a morte do Ministro Teori Zavascki (STF), que arrasta pela rede social um emaranhado de insinuações, acusações, especulações, conjecturas... Enfim, mais uma vez nós, o povo brasileiro, confrontados com nossa triste realidade: sucessivos acontecimentos desestabilizantes, que além de nos “tirar o chão”, a cada novo flash, nos provocam incertezas, desânimo, descrença, falta de direção, de rumo, esgotamento, dúvidas... e muitas outras sensações que beiram a uma ressaca, que faz parecer não ter fim...

Mas como conviver com tudo isso, já que parece irremediável no momento essa convivência? É, a palavra é esta, “conviver”, viver com, viver junto, do latim: COM = junto + VIVERE = viver. A realidade social e política atual nos leva a essa convivência, nada agradável, com toda essa turbulência, envolvendo nossos gestores, os representantes dos “poderes” da terra Brasilis. Mas é bom que fique claro que nossa convivência não pode ser confundida com conveniência ou conivência. Uma coisa é ter a clareza sobre o momento conturbado que estamos vivendo, outra coisa é dizer que somos condizentes, ou que o momento presente por nós é aceitável. Reconhecer criticamente as ocorrências é bem diferente que aceitar com naturalidade o que acontece.

Nos resta rogar aos deuses de nossa crença que nos dê sanidade, discernimento e clareza neste momento, para que as “ondas” não nos arrebatem e fiquem a nos empurrar e nos jogar contra as falésias ou as docas e diques; para que encontremos logo o nosso cais, o nosso porto seguro em meio a tantos maremotos. Que tenhamos a serenidade no pensar e o coração prevaleça em parceria furtiva com a razão, para que assim, o ódio não faça morada em nosso “ser”. A essência é nossa e isso ninguém nos tira, só se permitirmos.


Nesse final de dia, direciono meus sentimentos as famílias dos que partiram nesse trágico episódio. Desejando que as almas dos que se foram, sejam poupadas de todo o eco que reverbera da massa brasileira que apesar dos encontros e desencontros, nada mais quer do que a paz, a segurança de uma vida feliz, próspera e fraterna. Mas por hoje, ainda ficamos com as incertezas, os gritos, palavras de ordem e lamentos...

segunda-feira, 18 de abril de 2016

50 ANOS

Há exatos cinqüenta anos, também numa segunda-feira, em 18 de abril do ano de 1966 eu chegava a este mundo, nesta Terra, neste planeta, neste Tempo.

Nasci na efervescência dos anos 60 no Brasil, em meio a ditadura militar pós golpe de 64, num ano em que foi instituído, pelo Ato Institucional nº 3, as eleições indiretas para governador, vice-governador e a nomeação de prefeitos. Em 12 Estados, a ditadura sai vitoriosa. Em Minas Gerais, Estado em que resido, Israel Pinheiro tomava posse como governador e entrou para a história como pioneiro da indústria siderúrgica nacional. A UNE faz seu segundo Congresso na ilegalidade e na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, a PM invade a faculdade de Medicina e espanca os estudantes. Sai a condenação de 14 anos de prisão para Luis Carlos Prestes, líder do Partido Comunista Brasileiro. Artur da Costa e Silva, candidato da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) é eleito Presidente do Brasil, pelo Congresso Nacional, em eleição indireta, após ter sofrido um atentado a bomba em Recife, em que três morreram. São criados o INPS, o FGTS, a EMBRATUR, o IOF, entre outros e em dezembro, o Congresso, após a cassação de vários deputados e o recesso de um mês, é compelido a votar a “Constituição de Castelo”, ainda com Castelo Branco na presidência. Mas a oposição lança no Rio de Janeiro a Frente Ampla, antiditadura, unindo Lacerda, Juscelino e João Goulart e posteriormente, JK e Lacerda, lançam em Lisboa o Manifesto Oposicionista.
 
Um ano já bem agitado no Brasil pela pressão da ditadura, e toda a movimentação da oposição, que resistia e já sofria suas “baixas”, com corpos boiando nos rios, como o caso do corpo do sargento Manoel Raimundo Soares, preso pela ditadura no Rio Grande do Sul e que apareceu boiando com sinais de tortura no Rio Jacuí. Um mês depois o Marechal Amaury Kruel deixa o 2º Exército com manifesto de crítica ao regime militar. E dois anos depois, em 1968, chegamos ao fatídico Ato Institucional nº 5 (AI 5), em que os militares decretaram o recesso por tempo indeterminado do Congresso Nacional e assumem de vez todo o rigor, repressão e truculência de um regime militar ditatorial. E a palavra de ordem que se institucionaliza é o “CALE-SE”.

Esse foi o cenário da minha chegada ao Brasil, nascendo no Rio de Janeiro, pra morar na Rua Campinas, no Bairro do Grajaú, tendo como meus fiéis e dignos tutores, meu pai Jorge e minha mãe Maria José. Tive a minha formação básica na escola em meio as campanhas militares da década de 70, através da mídia principalmente, em que cantávamos: “Crianças somos do Brasil, vivemos sob um céu de anil, pinguinhos de gente valente (...) do Brasil somos as crianças, do Brasil somos a esperança (...), no futuro por sua grandeza, viveremos com riqueza”. Me lembra Affonso Romano de Sant’Anna (1980) no seu poema/ícone Que País é este?: “(...) Usei caderno ‘Avante’ – e desfilei de tênis para o ditador. Vinha de um ‘berço esplêndido’ para um ‘futuro radioso’ e éramos maiores em tudo – discursando rios e pretensão”.


Mas nesses cinquenta anos de história, fui agraciada com muitos encontros, com pessoas, idéias... Tive o privilégio de conviver com quem passou pelos porões da ditadura, com quem trazia consigo as marcas e a chama acesa da resistência, da luta pela liberdade, da livre expressão, da conquista pelo exercício político democrático, para um Estado pleno de Direitos, mesmo que em muitos momentos eu fosse meio que a mascote da turma. Mas pude viver, conviver e transitar em meio a esses movimentos e todas as experiências que a vida me proporcionou, tudo o que a Escola me legou, me oportunizaram a formação de um consciência crítica, humanitária e ética – experiência que acredito ter compartilhado com muitos de minha geração.

Hoje, 18 de abril de 2016, acordo com meus 50 anos – meio século de vida – experimentando algumas das angústias que no ano em que nasci, muitas pessoas experimentaram. Incertezas em relação ao futuro de nossa Nação, uma eleição indireta para presidente camuflada de defesa constitucional e a ditadura militar sendo calorosamente saudada como exemplo de conduta moral, ética, em defesa dos “bons costumes”, da família, tradição e pátria (TFP). Na sessão plenária de ontem, no Congresso Nacional, vi até mesmo deputados falando em nome dos ideais da Revolução Francesa, falaram em nome de tantos, de tanta coisa, que acho que não se lembraram de falar em nome de si mesmo. Percebi mais uma vez que nossos representantes no legislativo, em sua grande maioria, não se comprometem, se isentam de si se auto acobertando em meio a uma falácia sem fim. Se vivemos 50 anos pra chegarmos a esse momento, me parece que o caminho ainda será longo até o exercício pleno de uma democracia limpa, transparente, em que o interesse seja comum, ou seja, verdadeiramente o povo brasileiro, pois o que vivemos, são disputas pessoais, interesses pessoais, vaidades, disputas de poder, ganância financeira e muito despreparo intelectual, emocional e espiritual.
 
Mas gostei de conhecer um pouco mais dessas pessoas e sou grata por essa vivência, por “viver” essa história, que pra mim, se caracteriza por uma transição. Estamos juntos nesse trânsito, assim como está todo o nosso planeta. O que vai advir disso, só o Tempo nos dirá. Se a mim foi me reservado esse testemunho, agradeço e como boa aprendiz que sempre tentei ser, me coloco aberta a aprendizagem e a semeadura das boas sementes que eu for digna de cultivar.

domingo, 27 de março de 2016

ARREBATAMENTOS E ATITUDES

Somos facilmente levados por uma onda, tanto uma onda real no mar, nos rios, quanto numa onda virtual. É de se imaginar que a onda, para nos arrebatar, precisasse ser uma grande onda, mas as vezes o que nos leva é uma marola, ou seja, talvez não estejamos nos sustentando o suficiente para não nos fazermos levar, ou ainda, nem boiar conseguimos e acabamos por nos afundar num mar de crenças, num senso comum que pode não nos representar, pode não corresponder com a pessoa que realmente somos, com nossa essência, que em meio a tantas marés, estamos até desconhecendo.

Esse arrebatamento tem nos levado a lados opostos e extremos, polarizado, em que quem está de um lado é oponente de quem está do outro. As pessoas, naturalmente tem se digladiado, não no nível da discussão de idéias, de conceitos, concepções, mas em nível pessoal, como se a verdade que cada um assumiu como sua – o que não quer dizer necessariamente que seja – é a única e absoluta verdade a se considerar.

Em meio a este emaranhado de ditos, falácias, palavras de ordem podemos dizer que nossa maior crise é a “crise da verdade”. Ou talvez o questionamento que tenhamos que nos fazer seja: “O que é verdade pra nós?”; ou “Qual o nosso conceito de verdade?”; ou ainda: “A minha verdade é verdade para o outro, ou vice-versa?”. Esta reflexão se torna pertinente pra nós porque ouvimos muita coisa, é intenso o uso dos meios de comunicação de massa, as redes sociais, são muitas informações que nos leva a pensar que é muito fácil “falar” e são tantas vozes que o que está ficando cada vez mais difícil pra nós é o “escutar”. Escutar principalmente no sentido “do que escutamos”; “quem escutamos”; “quando escutamos”, entre outras interrogações nesse mar de falas, de palavras e, como estamos chegando no nosso limite do “escutar”, estamos precisando de filtros, precisamos educar a nossa capacidade de selecionar, de classificar, é quase que colocar em prática os conceitos Piagetianos básicos do lógico-matemático e como na pré-escola, exercitar a seriação, a classificação, a conservação, entre outros.

Mas não deveria ser simples pensar na verdade, já que verdade era pra ser verdade e pronto?! Mas aí temos nos deparado com a tal da relatividade e, junto com ela, a tal da conveniência. Mas outros poderiam dizer que se a verdade vem junto com a conveniência ela não deveria ser considerada como verdade, mas... como discriminar essa conveniência, como “ler” nas entrelinhas? Qual filtro vamos usar para fazermos essa classificação? Então teríamos nós tipos de escutas diferenciados para assim entendermos os diversos tipos de verdade? Se as pessoas falam por conveniência, usando da prerrogativa do relativismo, então nossa escuta não seria também uma escuta de conveniência?

Verdade, falas, conveniências, escutas e... a maré vai subindo e nós vamos perdendo nossa estabilidade, os pés vão saindo do chão, a correnteza vai nos empurrando ou nos puxando e, num lapso de tempo, nos vemos como que afogando, sufocando, vamos ficando sem oxigênio e a mente fica confusa, não conseguimos pensar e acabamos por nos deixar levar... até que um “salvador” nos resgate.

É bom então que observemos quantas boias estão disponíveis e quem são os que estão a segurar as boias, pois dependendo do que estiver posto a nossa volta, é melhor correr atrás de bons filtros de escuta e voltar a aprender e colocar em prática a relação dos conceitos lógico-matemáticos em nossas vidas, junto com as relações humanas que prescindem de direitos fundamentais para o exercício da cidadania se fazer em toda a sua concretude, numa sociedade plena de direitos, equitativa e igualitária.


[Imagens: Google Imagens]