segunda-feira, 14 de maio de 2012

PALAVRAS, POESIA POR TODO LADO...

Nesse sábado, dia 12 de maio, aconteceu na "Casa de Leitura Lya Botelho" em Leopoldina o evento “VARAL DE POEMAS”. Inspirado no trabalho do escritor e artista plástico Luiz Lopes e envolvendo alunos do 3º ao 7º ano do ensino fundamental das escolas estaduais, municipais e particulares do município, o projeto, que teve como objetivo o incentivo a leitura e escrita poética, proporcionou uma manhã muito especial.

Não são todos os dias que os ares matinais nos trazem envolventes palavras, sonoras rimas, imaginações flutuantes, juras de amor, poesia, poema, poesia... Varais repletos de vida, de arte, de cultura, de formação literária e não seria ousado dizer: de formação humana.

O mais interessante de um projeto como este, onde foi fundamental a vontade dos professores nesse ‘fazer’, é o visível interesse dos alunos pela poesia. Eles demonstram nos trabalhos o gosto por escrever, por soltar a imaginação, pela disposição do falar de si de forma tão espontânea e poética! E como foi bonito ver a gostosa agitação dos alunos procurando as poesias nos varais para mostrar aos pais e depois o brilho nos olhos na hora do anúncio da poesia classificada.

Porque ainda escutamos no meio escolar que as crianças não querem ler, ou que não gostam de escrever? Não é o que vemos em eventos e projetos como este. É fundamental entendermos o espaço que cada aprendizagem ocupa, os chamados múltiplos letramentos na diversidade de portadores de texto. Encontramos por vezes, alguns desavisados pessimistas, justificando o ‘não fazer’ pelo advento da internet, quando que, o letramento digital¹ é mais um desses múltiplos letramentos que nos rodeiam e a existência dele não anula o gênero poético, pelo contrário ajuda em muito sua produção e divulgação.

Sendo a educação um processo de produção humana, e sendo nós, seres essencialmente sensíveis as emoções que refletem nossa alma, no processo educativo, não podemos dispensar a poesia, enquanto produção artístico/literária, enquanto produção humana, no imprescindível desenvolvimento estético. Citando FREIRE (1996)², lembramos um de seus destaques no que ele considera como “formação docente verdadeira”:

"(...) exercício da criticidade (da curiosidade ingênua à epistemológica), o reconhecimento do valor das emoções, da sensibilidade, da afetividade, da intuição, da boniteza e decência que estar no mundo, com o mundo e com os outros – ENSAIO ESTÉTICO E ÉTICO".

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¹XAVIER, Antonio Carlos dos Santos. Letramento Digital e Ensino. UFPE. Art. Disponível em: <http://www.ufpe.br/nehte/artigos/Letramento%20digital%20e%20ensino.pdf> . Acesso em: 21 nov. 2011.
²FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários a prática educativa. Paz e Terra. 1996.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

SEE/MG DIVULGA OS RESULTADOS DO PROEB 2011

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais divulgou nesta semana, os resultados da edição 2011 do Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica – PROEB. O programa, integrante do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação – SIMAVE, avalia de forma censitária, anualmente, as turmas do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e o 3º ano do Ensino Médio, das escolas públicas (municipais e estaduais), do estado, em Língua Portuguesa e Matemática.

Os resultados podem ser visualizados no link:


Na Superintendência Regional de Ensino de Leopoldina, a Equipe da Diretoria Educacional está analisando os dados das escolas públicas dos dez municípios da nossa jurisdição (Além Paraíba, Argirita, Cataguases, Estrela Dalva, Itamarati de Minas, Leopoldina, Pirapetinga, Recreio, Santo Antônio do Aventureiro, Volta Grande), mas é sempre importante destacar que os dados são públicos, estão disponíveis para todos que interessarem. Família, autoridades, diferentes instâncias e organizações da sociedade e todos os profissionais das escolas podem e devem fazer uma reflexão sobre resultados de avaliação em larga escala como esta.

Numa primeira análise, já nos chama atenção, por exemplo, que o resultado nas turmas do 5º ano do Ensino Fundamental foi aquém do esperado. Essa afirmação leva principalmente em consideração o fato de que esses alunos avaliados no 5º ano em 2011, são os que entraram no Ensino Fundamental em 2007, ano que alavancou o Programa de Intervenção Pedagógica (PIP) nas escolas estaduais, sendo os alunos submetidos ao Programa de Avaliação da Alfabetização (PROALFA), em 2009, quando estavam no 3º ano. Vemos escolas que alcançaram, na avaliação do 3º ano em 2009, 590 na média de proficiência em Língua Portuguesa e chegaram no 5º ano em 2011, com média de 200 de proficiência; escolas que nessa mesma avaliação da alfabetização em 2009 tinham percentuais de mais de 60% dos alunos no nível recomendável, agora em 2011, no 5º ano, tem a maioria de seus alunos entre o nível intermediário e baixo de desempenho.

Nessa reflexão, são várias as interrogações, as possíveis hipóteses, para compreendermos melhor a forma como o percurso escolar vem se desenvolvendo nas escolas. E essa precisa ser uma reflexão coletiva, não de um grupo específico de técnicos educacionais, ou de um único professor de uma única turma, ou só do diretor da escola. Reflexões coletivas levam a movimentos compartilhados para ações mais efetivas, de compromisso entre todos os envolvidos direta e indiretamente com o desenvolvimento qualitativo dos alunos.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

ONDE ESTÁ A EDUCAÇÃO?

Com o questionamento do título: “Onde está a educação”, pretendemos iniciar uma reflexão sobre os diferentes espaços e tempos da educação hoje em dia. A questão que instigou essa reflexão, foi uma matéria publicada na revista CLAUDIA¹, intitulada: “Não preciso da escola para educar meus filhos”, bem como algumas outras informações que tem circulado entre conversas, onde pessoas enfatizam expressões como: “o professor está em extinção”; “com o ensino a distância não vamos mais precisar da escola”; “agora com a internet, pra que livros, pra que o professor na sala de aula, o aluno já sabe pesquisar seus interesses”; ou ainda: “acho estranho no país onde moro (Itália), que muitas pessoas estudam em casa, não vejo mais aquela relação com a escola como via na minha época”.
E é ‘costurando’ todas essas falas e mais a matéria da revista, que nossa ‘colcha de retalhos’ começa a ser tecida, a princípio com o título: “Onde está a Educação?”. Que pode ser interpretado de diversas formas, ‘alinhavando’ com outras reflexões e contextualizações, como também em análises etnográficas mais abrangentes.
Focando por hoje na matéria da revista, é interessante ver a organização da sociedade brasileira nessa questão, ou seja, mesmo possuindo o Brasil uma legislação que estabelece como obrigatória a matrícula das crianças com seis anos de idade na escola, organizações não governamentais representativas das famílias, estão assumindo esse “descumprimento legal”. Entre elas, segundo o artigo do periódico: a “Aliança Nacional para Proteção de Instruir e Aprender (AMPLIA), e a Associação Nacional da Educação Domiciliar (ANED). E as famílias que defendem esses princípios, estão assumindo juridicamente essa postura, alguns pagam multas, outros respondem a processos.
Motivos, não são poucos segundo esses pais, pra oferecerem aos filhos educação domiciliar, sendo que os resultados desses alunos, quando são submetidos as avaliações validativas, ou imputadas por medida judicial, não tem decepcionado, ao contrário, os alunos tem demonstrado rendimento satisfatório.
Então “onde está a educação?”, na escola, em casa, na internet, em todos esses lugares? Como podemos lidar com esses múltiplos espaços e meios? E a “Educação a Distância”, já nos adaptamos a ela? – hoje podemos realizar cursos de Graduação, Especialização, Pós-Graduação a distância. E o papel do professor, qual seria hoje o seu ‘fazer’? Qual o espaço que ele ocuparia em modelos ‘alternativos’ no processo educacional? Esse profissional está instrumentalizado pra essas novas dinâmicas? Como qualificar esse profissional?
São muitas a interrogações, que nos servem como fio condutor na costura da nossa colcha de retalhos...
• Segue o link com a matéria da revista: "Não preciso da escola para educar meus filhos"
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PAULINA, Iracy. “Não preciso da escola para educar meus filhos” – a decisão polêmica de pais que tiraram os filhos do ensino oficial para educá-los em casa, assumindo a responsabilidade pelo aprendizado e comprando briga com a justiça. CLAUDIA [revista] Abril id. Março/2012. Disponível em: <http://claudia.abril.com.br/materia/nao-preciso-da-escola-para-educar-meus-filhos?p=%2Ffamilia-e-filhos%2Fcriancas-e-adolescentes&pw=1>. Último acesso em 05 maio 2012.

domingo, 1 de abril de 2012

FÓRUM NACIONAL DE ARTE SEQUENCIAL EM LEOPOLDINA - MG

Atualizando o Blog (agradeço aos amigos que vem reclamando da minha ausência), trago boas novas!

No dia 31 de março aconteceu um evento histórico em Leopoldina. O "Fórum Nacional de Arte Sequencial". Iniciativa, mais que louvável da Professora e Historiadora Natania, o evento teve o patrocínio da Unimed/Leopoldina, Grupo Energisa, Hotel Minas Tawer, Art-Flora, Farmácia de Manipulação e Livraria e Papelaria Central, além de importantews apoiadores, como a Fábrica do Futuro, CEFET Leopoldina, LACC/UFAL, UFPE, ECA/USP, UFRJ, Casa de Leitura Lya Muller Botelho, Gibiteca da EM Judith Lintz Guedes Machado e diversas editoras.

De grande relevância na área de pesquisa acadêmica, eventos como este, ainda carecem de maior participação e prestígio da sociedade. Valorizar o pensamento, a criatividade, o conhecimento e a sensibilidade artística é fundamental para o nosso desenvolvimento. Senti falta de mais educadores, gestores, alunos... participando.

Mas foi muito bom! Trabalhos interessantes, relatos de experiências, comunicação de pesquisa, intercâmbio com profissionais e instituições de diversos lugares desse nosso Brasil, boa conversa e muito mais!

Sobre a minha apresentação no Fórum, segue alguns links com o texto, que é parte do meu artigo:

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

QUE VENHA O NOVO E RENOVADO 2012

É comum iniciarmos um ano com a expectativa de recomeço, de renovação, de que é um tempo novo. As vezes escuto de algumas pessoas, que bom que são bem poucas, que num discurso de mal grado com a vida, que não tem nada de mais numa passagem de ano, ou ainda, que é só uma convenção de datas, que há lugares em que o calendário é contado de outra forma, que nada vai mudar só porque comemoramos um “simples passagem de ano”.

Seja como for, seja pelos desagradados, ou pelos assumidamente empolgados, o mais importante, acredito eu, é que quando muitas pessoas pensam juntas uma mesma idéia, formamos no astral, no universo, uma grande e poderosa força. É como se tivéssemos o poder de plasmar um cenário e esta forma se configura como fonte positivamente inspiradora para nós.

Assim sendo, se queremos renovação, são novos ares que vão soprar sobre nós. Se acreditamos num tempo novo, essa esperança nos alimenta energeticamente para o que está por vir.

Que bom que podemos compartilhar momentos de alegria, mesmo que seja as vezes pela força de um desabafo, pela vontade e necessidade de nos deixarmos levar por um “relax” tão imprescindível para nosso reabastecimento energético.

Então, que venha 2012! Que venha renovado de bênçãos, que seja próspero, fértil, amoroso, fraterno e acolhedor. Que a alegria prevaleça! Que a compreensão reine! Que a compaixão nos restabeleça a ternura! E que o amor nos faça cada vez mais maravilhosos, plenos e cheios da bondosa e encantadora humanidade!!!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

INICIANDO UMA NOVA JORNADA

Nesta segunda-feira, dia 05 de setembro iniciei mais uma jornada. Estamos na semana presencial do curso de "Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública", através do CAEd/UFJF e no qual eu faço parte. A turma do curso é bastante representativa da diversidade social, cultural e geográfica. São gestores de escolas e sistemas de educação, professores, técnicos de Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, do MEC, de Institutos, distribuídos geograficamente em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Ceará, Pernambuco, Moçambique e Angola.

Que bons ventos nos conduzam a novos horizontes!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

DESAFIOS E DESAFIOS NA EDUCAÇÃO - POR UM PACTO DE AMOR

A realidade que se descortina diante de nós no Brasil, nossa “pátria mãe gentil”, nos leva a relacionar diretamente a palavra EDUCAÇÃO à palavra DESAFIO. Dificilmente pensamos em Educação em nosso país sem praticarmos inúmeros desafios.

Em especial, se focarmos em Minas Gerais, iniciamos o ano letivo de 2011 com o início de uma Gestão Estadual, que busca se estabelecer nas bases da experiência da continuidade de um modelo de gestão que vem se consolidando há oito anos, mas que agora tem o desafio de corresponder ao que foi construído como modelo administrativo de “ordem e progresso”, garantindo a sustentação do proposto ao mesmo tempo que precisa costurar uma roupagem de inovação e novidade. Situação esta, que não deixa de ser análoga no Governo Federal, com ressalvas em relação ao aspecto ideológico/filosófico. As análises e pesquisas educacionais vem nos mostrando que avanços ocorreram, mas não o suficiente pra dizermos que superamos nossa defasagem em relação a países outros que já encontraram o caminho, já fazem muito bem o “dever de casa”, onde os desafios são outros, por já estarem em outra etapa da interlocução. Mas e os nossos desafios?... Temos muito a superar, mas também sabemos que só superamos o que temos de forma clara diante de nós como desafio. Ou seja, o que realmente está a nos confrontar, a nos incomodar? O que realmente grita nos nossos ouvidos e salta a nossos olhos diariamente? Aprendemos a apregoar pelos quatro cantos “que nossa sociedade se perdeu nos valores, que está tudo invertido, que vivemos uma crise ética, que ninguém mais sabe educar as atuais gerações, que tiranizamos nossos filhos e somos tiranizados por eles, que só falamos em direitos mas não sabemos mais os deveres”. Reproduzimos constantemente os mesmos discursos e argumentações, mas e a nossa ação concreta diante de tantas teorias, explicações e lamentações?

Tenho ouvido que precisamos de um “Pacto Nacional pela Educação”. Serei repetitiva dizendo que para pactuar algo precisamos saber o que estamos pactuando e um pacto desses em tamanha dimensão só se realiza quando realmente fazemos do tema a prioridade nacional. Mas será que sabemos o que é prioridade, ou como priorizar algo. Só priorizamos o que tem importância pra nós, o que é relevante em nossa vida. Para fazermos da Educação a prioridade social, na dimensão de um Pacto Federativo, as pessoas precisam reconhecer sua relevância, sua real importância na engrenagem social. Mas não se convence os outros, quando os atores principais, os maestros perderam suas batutas na condução da grande orquestra educacional, a Escola. Se os agentes envolvidos diretamente no processo educacional não mais reconhecem sua relevância nesse grande cenário, ou se ocupam uma posição secundária, como vamos pactuar a “grande revolução social” através da educação. “Escola é lugar de colocar, de deixar lá os meninos e meninas, é lugar de alimentar, é lugar de passar o tempo, é lugar de encontrar amigos, é lugar de formar turmas, gangues, é lugar de passar o tempo e em meio a tudo mais, é lugar de aprender; aprender a ler, a escrever, a fazer contas, a compreender o próprio corpo, a valorizar o meio ambiente, é lugar de preparar para o futuro, para ser CIDADÃO”. Nossa! É tanta função! E a função primeira, ainda lembramos dela? Educação é formação humana e sendo formação humana, é relação humana, é o contato do meu eu com o eu do outro. Escola produz pessoas e essa produção vai além da exclusiva formação nos saberes acadêmicos. Vou ser insistente, pois o que vou falar aqui repito sempre que posso: nossa sociedade escolheu institucionalizar a formação humana. Sendo assim, não deveria ter instituição mais importante na sociedade do que a Educação institucionalmente estabelecida em todas as suas instâncias, na governamental, na administrativa e na escolar. Só assim teremos um pacto verdadeiro. Se almejamos uma sociedade com menos violência, onde prevaleça a dignidade humana, os valores morais, os princípios éticos, não é só incluindo conteúdos e disciplinas, mas será na qualidade das relações humanas estabelecidas e vivenciadas no cotidiano escolar e esse cotidiano está intimamente e diretamente influenciado pelo que alicerçamos como base para a Educação, com todo o aparato necessário para a prática se fazer.

Vou dizer algo que pode soar como romântico, utópico... Mas vou referenciar nosso Maior Mestre, quando disse: “Eu sou o caminho a verdade e a vida”, ao lembrar essa afirmação quero lembrar que a síntese dessa expressão divina é o AMOR e se a síntese da relação escolar é a relação humana, a sócio-interação entre as pessoas, a pedagogia que precisa prevalecer na relação educacional, é a “Pedagogia do Amor”, não como ação piegas camuflando o verdadeiro sentimento e sentido da relação, mas como busca verdadeira, de quem acredita que sem o sentimento amoroso em relação aqueles que estamos a formar, na produção dos seres humanos que vão continuar a escrever nossa história, tudo o mais é discurso, é movimento contínuo de braçadas no alto mar das mazelas sociais em que nos encontramos, é fazer sem concretude, sem legitimidade, é até mesmo uma ação antropofágica onde nós nos engolimos e na difícil digestão de nós mesmos ficamos exauridos, cansados ressacados, descrentes, perdidos em nós mesmos e acabamos por pactuar nossa própria incompetência na edificação humana.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

FALANDO SOBRE SOLIDARIEDADE, FRATERNIDADE, HUMANIDADE

Tem exatos dois meses minha última postagem. Por coincidência hoje, 22 de novembro volto a escrever. Tenho a dizer que não foi proposital, estou em Belo Horizonte a trabalho e consegui parar um pouco pra colocar minhas leituras em dia, resolvi olhar meu Blog, os Blogs que sigo... e me deparei em especial com um que sempre me engrandesse muito. É o Blog de uma jovem, a Larissa, que além de linda (em todos os sentidos), passa sempre uma força, uma alegria, uma intensidade, uma disposição para enfrentar as adversidades da vida. Ela faz tratamento de saúde, tem Linfoma e mesmo com esse problema, agente não fica triste acompanhando o diário da Larissa, pelo contrári é sempre um aprendizado novo, uma palavra de ânimo pra gente seguir o caminho vencendo os atropelos. Tem tanta coisa que fica pequena perto da alegria de viver dessa moça!

Pelo próprio problema que ela enfrenta, está sempre se referindo a campanha de doação de medula óssea, até mesmo porque ao estar conectada com outras pessoas que passam por problemas dessa natureza, ela acaba levantando a bandeira da campanha preocupada com as outras pessoas que necessitam dessa esperança para continuar vivendo. E não é um discurso piegas, como um melodrama choroso, é motivador. Me motivou também o fato de que ela está sempre presente, contando suas experiências, sempre com bom humor, mesmo quando posta momento de desabafo, falando das dores que está sentindo ou de algum procedimento médico, não agradável. Assim me senti preguiçosa, acomodada e porque não dizer desorganizada com meus horários e afazeres. É aquela velha história que muitas vezes é difícil de admitirmos: tempo é administração, se temos mais ou menos, depende da nossa disposição para assim organizarmos, para estabelecermos as nossas prioridades.

Sobre a questão da doação de medula óssea, deixei até um comentário numa das postagens da Larissa, onde destaco que pra quem mora no interior, como eu moro, fica a expectativa de que essas coisas estão distantes de nós. Carece de um trabalho mais efetivo, que seja mais esclarecedor procurando facilitar o acesso as pessoas que foram sensibilizadas e interessarem em ser doadoras. Percebo, quando falo com as pessoas sobre esse assunto, que existem muitas dúvidas (quem pode doar, com qual idade, quais as condições, como é, se dói, etc.), quando agente esclarece e elas peguntam como fazem para doar e recebem como resposta que precisam buscar um Hemocentro numa cidade mais próxima que assim o tenha, as pessoas respondem que vão ver... Penso que poderiam os Homocentros pensarem numa campanha integrada com a campanha de doação de sangue, onde enviam suas equipes as cidades do interior.

No momento, infelizmente eu não posso doar, faço controle de anemia e estou com as taxas de hematrócitos baixa, mas posso falar sobre isso com as pessoas, posso tentar informar quem ainda não sabe como fazer e como é, posso ajudar a vencer os mitos, mas principalmente, quero fazer isso com o mesmo espírito da Larissa, sem tristeza, sem peso, sem rancor, com fé, esperança, bom humor, muito amor pela vida e pelas pessoas. 
Que assim prevaleça, o espírito de SOLIDARIEDADE, de FRATERNIDADE e de HUMANIDADE. 

Para mais informações: 
INCA  
www.inca.gov.br
http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=259



http://www.abrale.org.br/
http://www.drauziovarella.com.br/
http://ameo.org.br/

Para quem quer conhecer um pouco da Larissa:

Guerreira de Holdgkin

http://lariimendonca.blogspot.com

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

LUTO

"Hoje sou solidária a família de um antigo professor e colega de trabalho que faleceu. O Prof. Norival Jesus Monteiro, foi ele um grande concertista no seu amado instrumento, o violão e lecionou muito tempo no Conservatório Estadual de Música Lia Salgado de Leopoldina. Rogo pela paz e luz da sua alma. Que os sons dos Prelúdios de Villa Lobos ecoem entre os planos e tempos!"

segunda-feira, 28 de junho de 2010

SOBRE CUIDADO, AMOR, UNIDADE, FÉ - EDUCAÇÃO

Nesta segunda-feira, dia vinte e oito, participei da inauguração de reforma e ampliação de duas escolas. Ambas do Município de Leopoldina, uma no Distrito de Tebas (EE Justiniano Fonseca), e outra no Distrito de Ribeiro Junqueira (EE Sebastião Medeiros). Mesmo que para alguns possa configurar como eventos organizados em tempo de cumprir as agendas políticas pré-período de campanha eleitoral, pra mim é sempre muito gratificante participar de inaugurações de reformas, ampliações, ou construções de Escolas.
É muito bom participar de ações que envolvem o desenvolvimento da Educação!
Tenho vivido ultimamente uma experiência que ecoa nos ouvidos como acordes dissonantes, para se resolver numa cadência de harmonia ímpar, que nos deixa uma sensação de alento, tentando nos preparar para uma nova sinfonia.
Fui na música buscar inspiração para falar da minha experiência em participar da criação de um Atendimento Escolar numa Unidade Prisional em Cataguases. Porque ao mesmo tempo que parece destoar, é reveladora de uma nova realidade, pois abre oportunidades as pessoas, abre nova dimensão, a perspectiva de um novo tempo. Quando digo que parece destoar, é porque estamos falando de um atendimento que acontece dentro de uma prisão onde muitos dos alunos são reconhecidos por nós professores como os que um dia já ocuparam as cadeiras de nossas escolas regulares. O que aconteceu nesse caminho? O que rompeu o fluxo, que deveria ter seguido naturalmente? É de certa forma, irônico ter que agora implantar atendimentos escolares em propostas de atendimentos carcerários, como se tivéssemos que só agora “dar conta” dos educandos que não se formaram nas nossas tradicionais escolas.
Continuo dizendo que é muito bom inaugurar escolas, mas melhor ainda é ter a certeza de que vamos proporcionar ao maior número de alunos, o desenvolvimento pleno, ou seja, como sujeitos dignos de si e do mundo em que convivem, pessoas inteiras de corpo, mente e alma.
Se é tão boa essa sensação de que, mesmo ainda contribuindo pouco, estamos fazendo algo pela Educação, porque não conseguimos agregar mais e mais parceiros nessa caminhada? Vejo nos meios de comunicação campanhas como: “Todos pela Educação”, tentando mobilizar as pessoas, fazer com que o maior número de pessoas na sociedade se sintam envolvidas e enxerguem a sua parcela de responsabilidade no desenvolvimento Educacional, na formação das crianças e jovens, mas não é o suficiente. A sociedade civil precisa sim se mobilizar, mas que seja uma mobilização consciente, com clareza, informação, com conhecimento da realidade a sua volta, das necessidades e especificidades da sua comunidade, de seus alunos e dos profissionais da educação. Muito ainda precisa ser feito para uma educação de qualidade. A discussão vai além das paredes, essa é só uma das necessidades: espaço físico adequado e com ela vem outras ações e necessidades e entre elas uma muito importante: profissionais qualificados e com boas condições de trabalho, com remuneração adequada a um mestre na arte de ensinar. Mas para termos bons mestres, precisamos de boas instituições formadoras e precisamos de uma seleção adequada desse profissional, considerando além de seus conhecimentos acadêmicos, suas condições psicológicas, sua competência humana – isso é básico no programa de seleção de recursos humanos de uma boa empresa, e porque não seria para escolhermos os profissionais que vão “produzir pessoas”?

Ultimamente digo que uma das palavras de ordem é “cuidar”. Nossa sociedade grita por cuidados. Precisamos cuidar das famílias (desagregadas, perdidas no seu papel de formação humana e primeiro alicerce educacional), cuidar das crianças (ameaçadas constantemente por tantos desencontros, egoísmos, vaidades, abusos, violência...), cuidas dos jovens (cada vez mais vulneráveis aos vícios, a drogas como o crak, cedendo ao desinteresse social, a ausência de valores), cuidar dos profissionais da educação (desacreditados, cansados, estressados, acumulando altos índices de absenteísmo e afastamentos por licença de saúde e que acabam por ceder lugar aos que não são verdadeiramente educadores e vão se enganando pela opção de ter um trabalho, um emprego), precisamos cuidar, cuidar, cuidar...
Mas só cuida, quem ama, então assim sendo, a palavra de ordem é AMOR. Não como sentimento piegas, chorado e declamado pelos artistas globais; mas o amor na sua essência mais pura e natural, do olhar para o outro com compreensão, com ternura, com compromisso, com responsabilidade, com compaixão, com tolerância, paciência. O amor que nos leva a nos colocar no lugar do outro, que nos faz descer do alto da nossa vaidade e egocentrismo. Eis o desafio, a UNIDADE, pois esse compromisso é de todos nós, inclusive dos legisladores, dos dirigentes, dos nossos governantes, para que se efetivem as ações que vão colocar a Educação realmente como prioridade, aparando todas as arestas e retirando todas as pedras do caminho.
Vou ficar a sonhar, fazendo do meu sonho uma crença e desta crença, minha profissão de fé. Principalmente porque a lição de um grande Mestre, ainda não aprendemos na sua totalidade, em todo o seu conteúdo; não vou dizer que estamos reprovados nessa lição, prefiro dizer que estamos no processo, na construção desse saber, dessa habilidade e competência. Chamamos esse Mestre de Jesus, o Cristo, e as palavras da lição se resumiam em: “ama a seu próximo como a si mesmo”. Como é difícil compreender a totalidade e os mínimos detalhes dessas palavras! Mas volto a afirmar que prefiro acreditar que estamos no caminho, tentando acertar, com tropeços, erros, desencontros, mas muitos “bons encontros” e “boas conquistas”...

Profª Claudia Conte dos Anjos Lacerda
Pedagoga, com formação na área de Música e
Especialização em Educação Inclusiva, atualmente
é Diretora Educacional na SRE-Leopoldina-SEE/MG